CBF lucra alto mesmo após fiasco na Copa

Com 10 patrocinadores e R$ 2,42 milhões de cota nos amistosos, entidade tem arrecadação recorde em 2010: R$ 263,3 mi

Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2011 | 00h00

As contas de 2010 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), aprovadas por aclamação ontem pelas 27 federações filiadas à entidade, apresentam números expressivos e aprofundam o abismo entre a confederação e os principais clubes do País, cujas dívidas se acumulam a cada ano. No ano passado, arrecadou R$ 263,3 milhões - R$ 193,5 milhões desse total provenientes dos contratos com seus dez patrocinadores.

Durante assembleia realizada num hotel da zona sul do Rio, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, detalhou o balanço da entidade para uma plateia eufórica - presidentes e demais dirigentes das federações, que quase sempre recorrem à CBF para obter recursos. O lucro líquido da confederação bateu recorde em 2010: somou R$ 83 milhões, contra R$ 72,3 milhões referentes à 2009. "Poderia ter sido mais favorável ainda se o Brasil tivesse chegado à final do Mundial na África do Sul", disse Teixeira.

O valor pago pelos patrocinadores representa mais de 70% do arrecadado. Para o próximo ano, o balanço pode atingir outro saldo inédito. Isso porque em 31 de dezembro de 2010 a CBF não contemplava a quantia corrigida recentemente do contrato com a Seara, a décima patrocinadora da entidade.

Para 2011, a empresa do setor de alimentação vai dar um aporte de 15 milhões (cerca de R$ 34,4 milhões) aos cofres da CBF - quase três vezes mais do que o previsto inicialmente.

"O recorde também se deu no pagamento de impostos, é importante registrar isso", declarou Teixeira, referindo-se a R$ 44,2 milhões retidos pelo Imposto de Renda.

A segunda maior fonte da CBF nos últimos anos foi a cota da entidade por jogo disputado pela seleção principal. Em 2010, esse montante chegou a R$ 37,4 milhões. Parte desse dinheiro veio dos jogos no Mundial.

Cada amistoso da seleção rende à CBF cerca de US$ 1,5 milhão (R$ 2,42 milhões) e esse valor pode ser renegociado a partir do ano que vem, levando-se em consideração à proximidade da Copa do Mundo de 2014.

O futebol profissional, com viagens, hospedagens, alimentação e premiação de atletas para competições ou amistosos também representou um corte considerável nos valores arrecadados pela CBF em 2010 - R$ 43,7 milhões.

Dos demais patrocinadores da Confederação, o que mais injeta dinheiro na entidade é a Nike, com cerca de US$ 45 milhões por ano (aproximadamente R$ 72 milhões).

A empresa de material esportivo é a parceira mais antiga da entidade - o primeiro contrato entre as duas partes foi assinado em 1996 e a última renovação estabeleceu acordo até 2018.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.