CBG diz que Jade sempre soube da lesão no punho direito

Médico defende tratamento utilizado e representante da entidade garante que o problema jamais foi escondido

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2008 | 00h00

A direção da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) garantiu que a ginasta Jade Barbosa, de 17 anos, sabia da lesão que tem no punho direito, diagnosticada pelo departamento médico da entidade, em janeiro, como osteonecrose (necrose causada pela falta de irrigação sanguínea adequada) no capitato (osso central do punho). Segundo a CBG, Jade não participou apenas de um torneio por causa do problema e continuou competindo normalmente por não ter reclamado de dores. Em uma entrevista coletiva com cerca de três horas de duração, a supervisora da CBG, Eliane Martins, disse que a primeira reclamação da atleta sobre o problema foi feita em dezembro de 2007, durante a etapa final do circuito brasileiro, disputada em Foz do Iguaçu. Depois da competição, as atletas foram liberadas para as férias. No retorno, em 7 de janeiro, Jade teria voltado a sentir dores - exames realizados nos dias 15 e 17 do mesmo mês confirmaram a osteonecrose. O médico Mário Namba, responsável pelas ginastas, afirmou que a lesão de Jade é um caso raro. "Não há consenso sobre o que é melhor fazer, se um tratamento conservador ou cirúrgico." Ele optou pela primeira alternativa, com fisioterapia, uso de analgésicos e antiinflamatórios, acompanhamento clínico e dois meses de moderação na parte física. Namba ressalta que, neste período, a ginasta não foi ao torneio American Cup, em Nova York.Depois do tratamento, Jade foi liberada. "Em nenhum momento ela se queixou", afirmou o médico. Em seu retorno, na etapa da Copa do Mundo de Cottbus (Alemanha), entre 9 e 13 de abril, foi 2ª colocada no salto e no solo. Namba diz que a atleta só voltou a reclamar em um torneio em Roma, no dia 5 de julho, e que, após um período de repouso e medicação, não falou mais sobre problemas no pulso.O médico defende os procedimentos utilizados no tratamento de Jade e diz que tanto o técnico Oleg Ostapenko quanto a atleta foram informados, em reunião conjunta, sobre o problema. "Em momento algum a lesão foi escondida", destacou Eliane Martins. Sobre as reclamações feitas pela atleta de que não podia tomar água, Eliane ressaltou que a orientação é para que não haja excessos. "É para a própria segurança dos atletas, que não podem aumentar o peso." Em relação ao uso do antiinflamatório Prexige, Mário Namba confirmou que o remédio era utilizado, tendo sido levado para o período de aclimatação no Japão, em 16 de julho. A portaria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibindo o medicamento foi publicada cinco dias depois. "Só fiquei sabendo quando chegamos a Pequim." Segundo ele, a droga não foi mais receitada. Namba lembra que o medicamento não é indicado para quem tem insuficiência renal. "Mas a Jade tem cálculos, o que é apenas um processo obstrutivo." SEM PREJUÍZOA presidente da CBG, Vicélia Florenzano, ressaltou que a polêmica levantada pelo pai da atleta, o arquiteto César Barbosa, que cogita processar a entidade, "jamais a prejudicará em convocações futuras". "Mas vamos precisar de um atestado médico de que está apta a competir", ponderou. "Ela pode ir à final da Copa do Mundo (de 12 a 14 de dezembro, em Madri), só depende de estar saudável." Segundo ela, as acusações feitas contra a CBG foram repassadas ao escritório jurídico que dá suporte à entidade. "Não podemos permitir que se denigra a Confederação ou que se desqualifique a equipe de treinadores ou o departamento médico", salientou. "Tomaremos alguma atitude a partir da orientação dos advogados."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.