CBV reconhece erro no caso Alessandra

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) reconheceu nesta quinta-feira seu erro e reintegrou a oposto Alessandra, de 16 anos, à seleção infanto-juvenil feminina. Ela tinha sido cortada por um suposto problema médico. O presidente da entidade, Ary Graça, explicou que o "desconhecimento" foi o principal responsável pela confusão envolvendo a jogadora."A medicina evolui e honestamente era um assunto de nosso desconhecimento", disse o presidente da CBV. Ary Graça se referiu ao fato de o laudo médico da entidade ter acusado que Alessandra é portadora do traço falciforme, até então considerada uma doença por seu departamento médico. "Vou fazer um dossiê com os documentos médicos que esclareceram a questão e enviar cópias às demais federações para isto não mais ocorrer."O corte de Alessandra ocorreu no mês passado, quando exames de sangue da atleta acusaram a presença do traço falciforme. O indivíduo portador do traço tem por caracaterística possuir um dos gens, responsáveis pela produção de hemácias, mutável. Problemas como a morte súbita podem ocorrer somente em pessoas portadoras da anemia falciforme.O laudo médico que serviu de base para o corte da jogadora apontava que, por ter traço, Alessandra corria risco de ter morte súbita se continuasse as atividades como atleta.Para comprovar as alegações da defesa da atleta foram apresentados dois laudos médicos, um do Instituto Estadual de Hematologia (Hemo-Rio) e outro da secretaria estadual de Saúde. Um documento favorável do Ministério da Saúde também será anexado.Alessandra não escondeu sua felicidade e já fez planos para voltar a integrar à seleção, que em 2005 disputará o Mundial da categoria, na Alemanha (na terça-feira, a equipe foi campeã sul-americana, no Equador). Ela destacou que o episódio é uma "página virada" em sua vida e ainda espera servir de exemplo para os atletas."Agradeço ao presidente da CBV por me dar uma nova oportunidade e espero que este episódio sirva para as pessoas conhecerem um pouco mais sobre o traço falciforme", afirmou Alessandra, que participará de uma campanha de esclarecimento nacional, pelo Ministério da Saúde, sobre as diferenças entre traço e anemia falciforme. "Agora é seguir na luta para estar na seleção no ano que vem e ser campeã mundial."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.