Cenário favorável ao Palmeiras

FPF confirma jogos das finais em Campinas e no Palestra. E time não deve ser punido pelo gás lançado domingo

Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2008 | 00h00

O Tribunal de Justiça Desportiva deve decidir hoje se faz denúncia contra o Palmeiras em razão do gás atirado no vestiário visitante do Palestra Itália no clássico de domingo, contra o São Paulo. Mas o cenário que se desenha é favorável ao Alviverde. Ontem, o procurador do TJD Antônio Carlos Meccia visitou o estádio e disse achar muito difícil o gás ter sido jogado de fora. Afirmou também estar confuso. ''Difícil definir quem lançou o gás.'' Hoje, ele vai ouvir cinco testemunhas e também analisará fitas de vídeo. Apenas o Tribunal pode tirar a grande decisão do Estadual do Palestra - a FPF definiu ontem que o primeiro jogo contra a Ponte Preta será no Moisés Lucarelli, em Campinas, e o segundo, no Palestra Itália.O presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, disse ontem que o caso do gás ''foi algo lamentável, só pode ser coisa de vândalo, que não gosta de futebol''. O cartola pediu a apuração do incidente e não acredita que o Palmeiras possa perder o mando de campo, em 4 de maio.A cada dia que passa o clube alviverde tem mais certeza de que o gás foi jogado por alguém do próprio São Paulo, já arquitetando uma possível punição ao rival. ''Pelos precedentes, tudo leva a crer (que foi o São Paulo)'', disse o diretor de futebol Genaro Marino, ao se lembrar que no ano passado o goleiro são-paulino Bosco fingiu ser atingido por uma pilha, também no Palestra. ''Todo jogo contra essa equipe nós temos problema. Não é estranho?''O resultado da perícia que o Instituto de Criminalística realizou na segunda-feira e ontem no estádio deve demorar 30 dias para sair. Tempo que Meccia não tem - até quinta-feira ele precisa resolver se denuncia ou não o Palmeiras ou algum outro responsável. Ele espera resolver tudo hoje.Ontem, o Estado acompanhou Meccia na vistoria do Palestra. E, apesar das várias dúvidas, o procurador disse achar difícil o gás ter sido lançado por fora do vestiário. ''Teria de ter alguém jogando por muito tempo. E algum policial teria visto'', falou. ''E um tubo pequeno (de gás) não causaria tudo isso. O vestiário é muito grande e seria necessário umas dez bisnagas. Mas também não consigo acreditar que foi alguém do São Paulo'', comentou.Outra estranheza do procurador foi com a coincidência do fato de a diretoria tricolor, que estava no vestiário no 1º tempo, ter saído no momento em que o gás foi lançado. ''A diretoria e os seguranças saíram e nesse meio tempo os jogadores entraram. Como se explica isso?''O encarregado pela fiscalização do jogo, Dárcio José Marques, foi um dos primeiros a entrar no vestiário após a reclamação são-paulina. E disse que ''o cheiro incomodava, mas não era tão forte''.Dirigentes do Palmeiras dizem que jogadores do São Paulo e o técnico Muricy Ramalho exageram na reação após o fato ocorrido. ''Eles armaram um circo'', chegou a dizer o vice-presidente Gilberto Cipullo. ''O Muricy fez um verdadeiro teatro'', afirmou outro cartola, que pediu para não ser identificado.O São Paulo, inconformado com as acusações palmeirenses, entrou com uma representação contra o rival no Tribunal de Justiça Desportiva. O clube alega que o Palmeiras descumpriu o artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. A pena para tal infração - ''deixar de tomar providencias capazes de prevenir ou reprimir as desordens em sua praça de desportos'' - é de multa de R$ 50 mil a R$ 500 mil e perda de mando de campo de um a três jogos.Ainda ontem, a Federação anunciou que cada torcida visitante (Ponte e Palmeiras) terá direito a 2.600 ingressos no estádio do rival. O mais barato (arquibancada) custará R$ 40,00. O Moisés Lucarelli vai ter capacidade para 20.600 torcedores e o Palestra, 27.600.''A Federação foi democrática e premiou os clubes'', declarou Del Nero sobre a escolha dos palcos finais.

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