Ceni e Muricy fazem história no São Paulo

Ambos têm seus nomes gritados pela torcida e admitem que vivem momento especial no clube

Giuliander Carpes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2008 | 00h00

Não faltaram lágrimas na inédita conquista do São Paulo - especialmente para os dois maiores ídolos da torcida, legítimos tricampeões. Cada qual com a sua liderança, desempenhando seu papel, Rogério Ceni e Muricy Ramalho conseguiram uma façanha em 2008: tiveram seus nomes gritados, na mesma intensidade, pelos são-paulinos que empurraram o time na reta final do Brasileiro. Confirmaram, mais uma vez, a força de sua imagem na história do clube. Monte seu São Paulo dos sonhos dos campeões Veja galeria de fotos do jogo da conquista da taça Bate-Pronto: deixe sua mensagem a os campeões Ouça os gols e entrevistas via rádio Eldorado/ESPNMuricy, 53 anos, ex-jogador do clube, técnico do São Paulo pela segunda oportunidade, 502 jogos sob a camisa tricolor. O currículo é invejável, mas ele não quer se comparar ao capitão Rogério Ceni. E nem se coloca na posição de ídolo. "Acho que o grande ídolo do São Paulo é Telê Santana. Esse é o fera, o número 1. O Rogério é um ídolo, um cara bem maior. Eu sei o meu lugar. Sou muito pequeno em relação a esses caras." Já Rogério, totalmente estabelecido no posto de maior liderança do grupo, admite: a conquista do batalhado 6º título nacional, para quem já levantou a taça de dois Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial, significou alívio. "Tiramos um peso das costas. É uma alegria muito grande", afirmou o capitão, ao fim de sua 839ª partida em 18 anos de São Paulo. "Isso é o sentido da minha vida, o que há de mais essencial, junto com as minhas filhas. Por mim, não teríamos férias. Graças a Deus saímos campeões. "Se Rogério é personagem incontestável em todos os setores que envolvem o São Paulo, desde a torcida até o mais alto posto da diretoria, o mesmo não pode ser dito sobre Muricy Ramalho. Ainda que seja o segundo tricampeão brasileiro da história, ao lado apenas de Rubens Minelli, ele teve de resistir para permanecer no cargo em três anos de clube. Agradeceu o apoio do presidente Juvenal Juvêncio, mas reconheceu que a torcida foi seu maior esteio. "Não sou demagogo para dizer isso", ressaltou. "Faz três meses que a torcida gritava meu nome em todos os jogos. Não poderia desistir, tinha de fazer alguma coisa por eles." Muricy lembrou que recusou uma proposta milionária do futebol do Catar, no meio do ano, mesmo sabendo que sua permanência era contestada por pessoas próximas ao presidente. Nesse ponto, também entrou a família. São-paulinos, a esposa Roseli, os filhos Fabíola, Muricy Júnior e Fábio. "Eles ficaram sempre ao meu lado. E eu disse que, se o pai ia continuar, era porque alguma coisa estava reservada. Não era possível: eu tinha recebido proposta do Catar, estava 11 pontos atrás do Grêmio... Deus tinha alguma coisa para mim. Não tem dinheiro que pague isso."Rogério Ceni admitiu que, pela primeira vez, temeu a derrota. "Eu tenho 35 anos, mas não perdi o medo de perder. Só quem já venceu sabe o quanto é duro não ganhar. Pela primeira vez, comemoro muito mais o título, por não ter perdido. É um sentimento diferente em relação aos outros dois anos."Líder e responsável por fazer o time produzir em campo boa parte do que pede a comissão técnica, Rogério homenageou seus colegas. "O que vai ser lembrado é a entrega deste time. Ninguém pode ter um título mais relevante do que este."O capitão ainda dedicou a taça ao ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, que morreu há uma semana. "Seria muito injusto que ele visse o título daqui. O céu é o lugar certo para uma pessoa como ele festejar." FALAM OS CAMPEÕESMuricy Ramalhotécnico"O grupo está de parabéns. Agradeço ao presidente Juvenal Juvêncio pela força, pela torcida que me apoiou e à minha família, que sempre ficou ao meu lado.""Eu sou marrento. Se não fosse, o São Paulo não seria o de hoje."Juvenal Juvênciopresidente"Não queriam que o São Paulo vencesse de novo."Rogério Cenigoleiro e capitão "Não há dinheiro no mundo que pague esta festa. Merecemos por tudo o que fizemos, especialmente no 2.º turno.""O que vai ser lembrado é a entrega deste time. Ninguém pode ter um título mais relevante do que este."Hernanes volante"Muitos são campeões, poucos são bi, mas tricampeões, só nós somos."Borgesatacante"Algumas pessoas no Goiás falaram demais, disseram que iam ganhar do São Paulo e a resposta está aí. Somos seis vezes campeões brasileiros, três da Libertadores e três do Mundial."Dagobertoatacante"Podem torcer contra, falar o que quiser, só o São Paulo é hexa.""Não fizemos um bom primeiro turno, mas, depois, fomos perfeitos."Jorge Wagnerala"Em um momento como esse, temos de valorizar o trabalho de todos. O que mostramos nesse campeonato foi coisa de louco."Richarlysonvolante"Até três meses atrás ninguém confiava na gente. Mas tivemos união e mostramos a força deste grupo."Mirandazagueiro"Foi o título mais difícil, com certeza. Mas valeu a conquista. A gente sempre buscou, jamais desistiu."Rodrigozagueiro"Muita gente disse que o São Paulo não ia chegar. Ainda tentaram nos atrapalhar com esta história de envelope para o juiz. Calamos a boca de todo mundo dentro do campo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.