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Antero Greco
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Centenário enfeitiçado?

Na crônica de ontem, escrevi que acredito em bruxas no futebol. Pois elas brincaram com os nervos de Santos e Palmeiras, deram sustos para valer nos dois, deixaram dirigentes da FPF com cabelos em pé, diante da possibilidade de uma final apenas entre pequenos. No final, recolheram-se em parte, para que prevalecesse um pouco da lógica, e pouparam só os santistas do vexame, com os 3 a 2 sobre o Penapolense. Com os palestrinos, elas se divertiram, como virou praxe no último quarto de século, e lhes tiraram o doce da boca, no 1 a 0 para o Ituano. Lá vem a maldição do centenário... Será?Porca miseria.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2014 | 02h03

Sempre se ouviu falar que raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Não sei se é lei da Física ou lenda popular - os bem informados perdoem minha ignorância científica e levem em conta apenas a figura de linguagem. Porque, por muito pouco a desgraça não se abateu novamente sobre o Santos. O Penapolense havia sido o único time a derrotar a turma de Oswaldo de Oliveira, com os 4 a 1 bem lascados na fase de classificação. E por um triz não repetiu a proeza na tarde de ontem na Vila.

A vitória alvinegra veio no final e no sufoco. O Santos flertou com tombo monumental, e não foi apenas por causa do gramado escorregadio, pesado, quase encharcado pela chuva. As condições climáticas não ajudaram a equipe que tinha o melhor toque de bola e os jogadores mais velozes no ataque.

Ao mesmo tempo, atrapalharam, e muito, o empenho, a distribuição correta do atrevido adversário e a vontade com que os jogadores do Narciso se lançaram nas divididas. Quer dizer, os moços não desceram para a Baixada para ver a paisagem da serra e as praias. Ao contrário, correram muito, não se abalaram com o gol de Cícero e foram para os vestiários com a vantagem construída por Guaru (pênalti sonso cometido pelo David Braz) e Douglas.

O esforço apresentou a conta para a brava gente de Penápolis com pouco mais de dez minutos, no segundo tempo. Daí, entrou em ação o poder de observação de Oswaldo de Oliveira, ao colocar Rildo no lugar de Gabriel. Dois toques na bola e deixou Leandro Damião na cara do gol para empatar.

O treinador recorreu à mesma dose aos 42, com a entrada de Stéfano Yuri na vaga do próprio Damião, que antes havia entortado duas chances para a reviravolta, com finalizações erradas. E, mal dá alguns passos, Yuri serve Thiago Ribeiro para o gol salvador. Aplausos para Oswaldo, que suou frio como a torcida toda no estádio.

Pelo conjunto da obra, seria desperdício o Santos interromper a extraordinária sequência de finais regionais - eram cinco antes da atual. Na primeira parte da competição, foi o único a mostrar incansável vocação para o gol, atreveu-se além da média, rompeu a mesmice. Se não chega a ser uma obra de arte, pelo menos não dá sono, não há monotonia. Como tem direito de fazer a segunda em casa, pela campanha melhor, não cai no pecado da presunção de considerar-se favorito.

O Palmeiras pisou no gramado do Pacaembu com o peso da responsabilidade pela segunda colocação no geral e com imagens fresquinhas da batalha santista para carimbar ingresso para a arrancada final. Os palestrinos também foram para o penúltimo desafio com Valdivia no banco, preservado por falta de boas condições e porque tinha dois cartões amarelos. Diminuição notável no poder de criação. Para complicar, perderam Alan Kardec, pouco antes do intervalo, por contusão. Como desgraça pouca é bobagem, o Ituano se valeu do ferrolho que o fez tomar só 10 gols na competição.

Quadro perfeito para sofrimento, marca registrada que o Palmeiras arrancou do Corinthians. E foi o que se viu no segundo tempo, disputado na base de ataque verde contra defesa ituana. Entre um aperto e outro, o time do Interior botava as garras de fora e assustava em contragolpes. Valdivia entrou e o que fez de melhor? Tomou o amarelo. Pior, viu o Ituano ganhar, num lance isolado. E o Palestra enfiou a viola no saco.

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