Sergio Shipuya
Sergio Shipuya

Cerca de 500 mil copos plásticos usados na São Silvestre viram 1,8 mil lixeiras para escolas

Ação que começou em 2019 foi paralisada por causa da pandemia e concluída agora em 2021

João Prata, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 10h00

A São Silvestre de 2019 realizou uma ação preocupada com o meio ambiente que, por causa do coronavírus, só foi concluída agora em 2021. A última edição da corrida em São Paulo realizada antes da pandemia, reciclou cerca de 500 mil copos plásticos, utilizados por 35 mil atletas e que se tornaram 1.800 lixeiras, distribuídas para 46 escolas públicas do Estado de São Paulo. Esses copos eram entregues aos corredores em pontos específicos da prova. Todos foram recolhidos para a ação.

A iniciativa partiu do Movimento Plástico Transforma (MPT) em parceria com os organizadores da São Silvestre: a Fundação Cásper Líbero, a Gazeta Esportiva e a Yescom. As lixeiras foram produzidas pela empresa Jaguar Plásticos, também responsável pela entrega às secretarias de educação de cada cidade.

Fernanda Maluf, uma das coordenadoras do MPT, contou como surgiu a ideia. "Quem assiste ou participa da corrida enxerga ali o plástico exposto de maneira muito forte. São toneladas de plástico. Não é uma ação que falamos de consumo, porque o consumo é necessário. É uma ação de educação, mais voltada para o descarte e encaminhamento correto com poder de transformação", disse.  

Os plásticos foram coletados por 200 funcionários ao longo dos 15km de percurso da prova de 2019. Cerca de 35 mil pessoas fizeram a inscrição naquela corrida. De lá foram transportados até uma recicladora, selecionados e transformados em resina plástica. A partir disso, os copos de água viraram as 1.800 lixeiras. Responsável pela entrega, a secretaria de educação da cidade de São Carlos acredita que 27 mil alunos, de sete municípios diferentes, serão impactados pela ação. 

Para Ana Paula Matsumoto, coordenadora do Núcleo Pedagógico e uma das responsáveis pela área de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação de São Carlos, a ação ajudará os alunos a entender melhor como funciona o processo de reciclagem na prática. "A ação dará visibilidade ao encurtamento da logística reversa. Saber que elas foram confeccionadas a partir dos copinhos descartados na Corrida São Silvestre torna esse processo muito mais valoroso", comenta.

A programação inicial das entregas das lixeiras era para terminar até o primeiro semestre do ano passado. Mas veio a pandemia, o trabalho de reciclagem precisou ser interrompido e as escolas também ficaram fechadas. Só neste ano é que as lixeiras foram liberadas pelas secretarias de educação e então entregues. São, no total, 900 kits, pois foram produzidos dois tipos de lixeira, metade para resíduo orgânico e a outra metade para material reciclável. "Foi um processo tranquilo. A organização do evento informou que cerca de 96% dos copos distribuídos ficam no chão. A operação da coleta foi toda feita pelo Movimento Plástico Transforma", explicou Fernanda. 

Além da ação de entrega, haverá oficinas de compostagem, biogás e lives sobre a importância da reciclagem do plástico. "A ideia é mostrar também que o plástico não está só na garrafinha de água. Ele está na máscara e em outros produtos consumidos no dia a dia", contou Fernanda.

A partir da São Silvestre, a intenção é expandir a iniciativa para outras corridas de rua pelo Brasil. Os novos projetos ainda estão suspensos por causa da pandemia. "A São Silvestre deu uma visibilidade importante. É uma corrida de público bastante diversificado, tem um volume de plástico grande e que não tem outro material que pode substituí-lo. Pretendemos ampliar a ação para outras competições e outras modalidades", admite Fernanda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.