César Cielo entra na piscina em busca de mais recordes

Nadador brasileiro participa nesta sexta-feira do Grand Prix de Ohio, nos Estados Unidos

Heleni Felippe, O Estado de S. Paulo

03 de abril de 2008 | 20h20

O velocista brasileiro César Cielo ouviu de Fernando Scherer, o Xuxa, ex-nadador e seu agente, que não adianta obter bons resultados agora, quando a temporada olímpica apenas começou. Um bom tempo até pode aumentar a pressão por uma medalha nos Jogos de Pequim, em agosto. Mas Cielo não aceitou o conselho. Já tinha planejado nadar os 50 m e os 100 m, livre, no Grand Prix de Ohio (EUA), de sexta a domingo, por recordes sul-americanos. E é o que vai tentar. Atual dono das duas marcas - 21s84, nos 50 m, e 48s49, nos 100 m -, quer ser ainda mais rápido, no embalo da temporada de recordes mundiais com o novo maiô LZR Racer. "Acho que dá tranqüilamente para baixar os dois tempos." Em Ohio, estarão algumas das principais estrelas da natação mundial, como o fenômeno do estilo medley, o campeão olímpico Michael Phelps. Cielo estuda e nada em Auburn - faz business e espanhol, treina com o técnico australiano Brett Hawk com supervisão do ‘chefão’ Richard Quick, o head coach do time de 56 nadadores da universidade. E quer obter seus melhores tempos no sábado (50 m) e domingo (100 m), aproveitando a preparação que fez para o NCAA, o Universitário dos EUA, no último fim de semana (venceu as 50 e as 100 jardas e o revezamento 4 x 100 jardas). "Me preparei para o universitário e dei uma esticada para nadar bem em Ohio. Fiz meus melhores tempos no NCAA (bateu recordes de suas provas) e me empolguei. E nadei com o maiô do ano passado. Estou com grande expectativa boa com o novo maiô", diz Cielo, que usará o macacão (traje inteiriço). Com ele, foram estabelecidos 17 dos 18 recordes mundiais desse início de temporada. "O maiô não nada sozinho. Mas dá para juntar o útil ao agradável. Colocou gente boa dentro, ele fica ótimo." O brasileiro usou o maiô uma vez, em Missouri, em fevereiro, e bateu o recorde sul-americano dos 100 m, ainda "pesado", numa fase de treinos intensos. Tem dúvidas se o maiô será liberado pela Federação Internacional de Natação para Pequim - o assunto será discutido durante o Mundial de Piscina Curta, em Manchester (ING), de 9 a 13 deste mês. E justifica: a fabricante não terá tempo para fornecer a peça a todos, o que pode criar desigualdade entre os que são ou não patrocinados. "Eles não devem banir os recordes mundiais quebrados com o maiô, mas podem não autorizar seu uso na Olimpíada." Depois do fim de semana, o garoto de Santa Bárbara D’Oeste (SP), de 21 anos, 1,95 m e 88 quilos, não vai mais pensar em tempo. Mas nas medalhas olímpicas, nos 50 m e 100 m livre. "Minha preparação específica para Pequim começa em duas semanas. Vou para o Mare Nostrum e o Maria Lenk, mas sem me preocupar com resultados." Cielo vai treinar em Auburn, apesar de admitir que seu técnico brasileiro, Alberto Silva, do Pinheiros, pode ter ficado aborrecido. Garante que optou pelos EUA por estar adaptado e não por uma questão de método de treinamento ou qualidade técnica. "Estou adaptado ao ambiente. Auburn é uma cidade parada, mas me dei bem aqui, é um lugar sem trânsito para eu ir para a piscina. Fiquei com medo de trocar isso agora. Talvez o País ainda esteja atrás em infra-estrutura e equipamento, mas na capacidade dos técnicos está no mesmo nível." Mesmo após a decisão de tornar-se profissional (está negociando patrocínios), permanece em Auburn. "Não posso mais representar a universidade, mas como competi pela universidade por três anos vão bancar meu curso até o fim." Entre os nadadores com índice olímpico, Kaio Márcio também nadará em Ohio. Flávia Delaroli, Nicholas dos Santos e Henrique Barbosa disputam o Grand Prix de Palo Alto, na Califórnia.

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