César Cielo promete ser destaque no Troféu Maria Lenk

Ao lado de Thiago Pereira, nadador é um dos astros do Troféu Maria Lenk, última seletiva para Pequim

Heleni Felippe, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2008 | 19h57

César Cielo pode chegar um dia ao recorde mundial dos 50 e dos 100 metros livre. E também tem potencial para ganhar o ouro olímpico nos Jogos de Pequim, em agosto, nessas duas provas. A aposta ousada vem do técnico Alberto Silva, da seleção brasileira de natação, que acompanhou de perto a preparação do velocista nos últimos anos. Ao lado de Thiago Pereira, César Cielo é um dos destaques na disputa do Troféu Maria Lenk, competição que será a nova e última seletiva olímpica da natação brasileira. As provas começam nesta terça-feira e vão até domingo, no Parque Aquático Maria Lenk, no Rio, e contam com 434 atletas. Como já tem índice olímpico, César Cielo irá disputar a competição apenas para ajudar seu clube, o Pinheiros, e ganhar ritmo para a Olimpíada. Nesta terça-feira, ele nada as eliminatórias dos 50 metros livre, num programa que começa às 18 horas - as finais serão na quarta, a partir das 10h30. E no sábado, participa dos 100 metros livre. Alberto Silva acredita no potencial de César Cielo, mesmo após os recentes recordes mundiais do australiano Eamon Sullivan, nos 50 metros livre (21s28), e do francês Alain Bernard, nos 100 metros (47s50). "É um cara determinado, jovem e tem talento. Os tempos dos recordes mundiais são bem fortes, um complicador. Mas um recorde não precisa vir numa Olimpíada. Pode vir a qualquer momento. Ele está no mesmo nível dos outros candidatos para ganhar essas provas em Pequim", afirmou o treinador. César Cielo começou a ganhar destaque aos 17 anos, quando chegou ao Clube Pinheiros, em São Paulo, treinar ao lado do medalhista olímpico Gustavo Borges. Era uma aposta da natação brasileira. Agora, aos 21 anos, ele enfrentará o seu mais difícil teste: a estréia numa Olimpíada, em Pequim, em agosto, e como candidato ao pódio. "Eu tenho os meus objetivos pessoais e não quero ficar pensando em recorde", afirmou César Cielo, que está mais preocupado com as medalhas. Ele sabe que o nível de suas provas está elevado, o que torna o pódio olímpico ainda mais difícil. Mas espera estar lá. "Se não fosse assim, não teria graça. Toda hora aparece um e todos têm chance", explicou. Para o treinador da seleção, César Cielo é hoje o atleta brasileiro com o maior potencial para ser campeão olímpico. "Nas provas dele, tem pelo menos oito, dez nadadores brigando por medalhas e ele é um deles", disse Alberto Silva. Thiago Pereira, por sua vez, não tem tanta concorrência, mas o problema é que suas provas (200 e 400 metros medley) contam com a presença do norte-americano Michael Phelps, o fenômeno da natação mundial. Apesar de apostar em pódio nas provas individuais, César Cielo não enxerga o revezamento 4x100 metros do Brasil ganhando medalha em Pequim. "Está difícil, com tantas equipes fortes, como Estados Unidos e França. Precisaríamos ter mais dois nadando na casa dos 48 segundos baixo, na saída livre. Com o tempo do Pan só brigamos para estar na final, entre os top ten (dez melhores)", explicou. Assim, as melhores chances do Brasil estariam com o revezamento 4x100 metros medley, que deve ter César Cielo (no estilo livre), Guilherme Guido (costas), Henrique Barbosa (peito) e Kaio Márcio (borboleta) - são os quatro com melhores tempos. "Esse é top five (entre os cinco melhores)", admitiu o velocista. O Troféu Maria Lenk também terá Thiago Pereira, outro candidato ao pódio na Olimpíada em Pequim, nadando cinco provas individuais - 200 metros peito (sua estréia, nesta terça-feira, será nesta disputa), 100 metros livre, 400 metros livre, 200 metros medley e 400 metros medley. Ele ainda pode participar dos quatro revezamentos do seu clube, o Minas Tênis (4x50 metros livre, 4x100 metros livre, 4x200 metros livre e 4x100 metros medley), tudo para ganhar ritmo em sua preparação olímpica.

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