César Maia: só Paris ameaça Jogos no Rio

O prefeito do Rio, César Maia, já ficou marcadona história política brasileira como um propagador de factóides.De acordo com o dicionário Aurélio, factóide é um fatoverdadeiro ou não, divulgado com sensacionalismo, no propósitodeliberado de gerar impacto diante da opinião pública einfluênciá-la. E quando começou a investir maciçamente noesporte, seus adversários logo propagaram que seria somente mais uma das ações produzidas pelo político. Nesta entrevista para a Agência Estado, concedida em seugabinete, na sede da prefeitura do Rio, Maia procurou revelar osmotivos que o fizeram investir em uma área pouco valorizadafinanceiramente pelas administrações públicas. Cercado por"santinhos", como o de Santo Expedito e de Nossa SenhoraDesatadora dos Nós, o prefeito da segunda maior cidade do Paísdestacou a influência do esporte sobre as demais áreas, comosaúde e educação, e ainda aproveitou a oportunidade para elegerParis a única adversária da cidade pelo direito de ser a sededos Jogos Olímpicos de 2012. Sobre a violência, capaz de macular qualquer candidaturaolímpica, Maia se disse tranqüilo e não a considera prejudicial.Inclusive, capitalizou positivamente o episódio ocorridorecentemente na favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul,onde uma disputa entre traficantes pelo controle do local matou12 pessoas. "Este fato na Rocinha foi a nosso favor. Imagine seele acontece um pouco mais na frente?" Agência Estado - Jogos Pan-Americanos, candidatura olímpica,eventos esportivos diversos, construção de estádios e auxíliofinanceiro para times de futebol. Qual o porquê desseinvestimento maciço em esporte? César Maia - Talvez o esporte seja a atividade humana quetenha o maior número e diversidade de reflexos sobre outrasáreas. Em si é uma atividade profissionalizada e o amadorismonão existe mais. Por exemplo, a fisioterapia é direcionada parauma modalidade específica do esporte. Os links externos podemos observar em casos como a indústria de confecções, que o esporte contamina e ela generaliza como cotidiano o tipo de vestuário esportivo. A indústria de calçados também. Sobre a saúde, a parte de ortopedia, o desenvolvimento de medicamentos e vitaminas específicas para o atleta. O desenvolvimento de pesquisas que, ao identificar uma maneira de levar o atleta a ultrapassar a sua performance, gera imediatamente um procedimento terapêutico e fisioterápico às pessoas. A visibilidade internacional e turística que dá a uma cidade que é a sede de eventos. Os eventos também são atrativos para a indústria da publicidade, porque eles nunca contaminam a marca. Portanto, nós temos uma estrela de multiplicadores a partir do esporte. E foi por isso que decidi investir. AE - Desde 2000, o senhor cumpre o seu segundo mandato. E,apesar de seu atual entusiasmo com o esporte, ele não existiudurante a sua primeira gestão, entre os anos de 1993 e 1996. Oque o fez mudar de postura e despertar sua atenção para a área? Maia - Fui procurado em 1993 pelo doutor João Havelange(presidente de Honra da Fifa) e pelo doutor Roberto Marinho (naépoca presidente das Organizações Globo, falecido em 2003) que me pediram para colocar o Rio como uma cidade pré-candidata às olimpíadas de 2004. Até em consideração à experiência deles, fiz essa inscrição e passei a acompanhar a nossa candidatura. Fui recebendo informações que não tinha na época que entrei no governo, mas passei a ter no final da gestão, porque essa candidatura ela só foi aquecida a partir de 1996. Quando retornei, já tinha essas informações, que a elas foram agregadas outras, implementadas inicialmente no primeiro mandato, que é o esporte como elemento de inclusão social e estabilizador cultural dos jovens, dos adolescentes. O esporte é feito em base à lei e ordem: estabelecem-se regras e quem quiser competir tem que aceitar as regras e se submeter ao julgamento, ao juiz. Esse canal é muito importante, principalmente para nossas escolas dentro e na periferia de comunidades, onde se vive com uma condição de anomia muito grande e que o esporte vai fazendo essa integração. Iniciei a construção de várias vilas olímpicas e montamos uma constelação principalmente perto das áreas de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo. AE - Houve um aprendizado com o insucesso da candidatura de 2004. E, na ocasião, um dos pontos vulneráveis da pretensão do Rio era a parte financeira. Hoje o senhor tem garantido que se algum dos parceiros falharem, o dinheiro para a realização de umempreendimento está assegurado. Por exemplo, se o GovernoFederal não disponibiliza os recursos para a construção da VilaPan-Americana... Maia (interrompendo) - Perderia um grande negócio. O caso daVila é o setor privado pedindo um empréstimo para construirapartamentos. A disponibilização de recursos são orçamentários.Na verdade, a Vila só foi viabilizada com a agregação dogabarito por Lei Municipal. Então, um terço do valor é aporte decapital da prefeitura, com a criação de solo. Por enquanto, oGoverno Federal e o Governo do Estado não desembolsaram nenhum centavo para os Jogos Pan-Americanos e Jogos Olímpicos. AE - Com tantos investimentos, quanto está sendo destinado aoesporte? Poderia comparar os recursos esportivos com outrasáreas de sua administração, como saúde e educação? Maia - Não é bom comparar com saúde e educação. Porque nessas áreas a prefeitura do Rio é a única do Brasil que tem um sistema completo. Gastamos com educação mais de R$ 1,5 bilhão, com a saúde, R$ 1,5 bilhão, mas o Rio é um caso muito específico no País, porque tem a saúde municipalizada nos hospitais federais e tem a responsabilidade sobre 100% da rede de educação fundamental. Então, perto dessas áreas tudo fica muito pequenininho. Mas, no esporte temos gastos episódicos e permanentes. Os gastos permanentes são os de custeio da área. Se imaginarmos que vamos chegar a uma situação de 15 vilas olímpicas e parques de lazer e esporte, onde atenderemos a 150 mil crianças, adolescentes e jovens, estaríamos falando de cerca de R$ 75 milhões ao ano. Falando dos programas de inclusão social através do esporte, R$ 10 milhões. Agora, temos os investimentos específicos de um período. Como o Estádio Olímpico (do Pan-Americano, em Engenho de Dentro, zona norte) que vai chegar a um custo de R$ 160 milhões, distribuídos por três anos, e depois será concedido. O Complexo Esportivo do Autódromo (Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, zona oeste), cerca de R$ 200 milhões ao longo de dois anos. Temos os eventos considerados fundamentais para a cidade se credenciar aos Jogos Olímpicos de 2012 e, incluindo o Grande Prêmio de Motovelocidade - R$ 10 milhões - vão custar àprefeitura cerca de R$ 20 milhões. AE - Mas não são somente esses valores? Maia - Ainda vamos ter os eventos de 2004, porque não podemos parar de realizar competições até o Pan-Americano, uns R$ 30 milhões. As despesas com os Jogos, que são R$ 6 milhões por ano. Até julho de 2005, mais R$ 1 milhão referente ao processo de candidatura para a Olimpíada de 2012. Mas, apesar dos gastos, também temos receitas, que não são tão simples de dimensionar. Por exemplo, na Copa do Mundo de Ginástica Olímpica (realizada entre os dias 2 e 4) produziu um grande multiplicador de receitas, já a etapa do boxe certamente nada produziu. Também temos a oportunidade de recuperarmos a centralidade na área de ginástica olímpica. Vamos escolher um lugar e criar um centro. Em mais dois meses, voltaremos após décadas ser o centro do vôlei feminino. E isso tudo tem um multiplicador sobre os eventos que são realizados, enfim, publicidade, comércio, restaurantes, bares. Então fazer a tabulação de receitas e despesas a curto prazo não é simples. AE - Em uma rápida soma é possível se chegar ao valor mínimo de R$ 600 milhões... Maia - Em uma visão pessimista, se daqui para frente tudofosse bancado pela prefeitura. Temos R$ 160 milhões do estádio,R$ 200 milhões do complexo, mais R$ 30 milhões por ano deeventos. Mais ou menos R$ 600 milhões. AE - E parte de um montante desses não seria melhor aplicarna construção de um hospital, ou uma escola, e até um presídio(apesar de esta não ser uma obrigação municipal)? Maia - Olha, se você tiver alguma negativa de atendimento naárea de educação e saúde, em função destes investimentos,certamente. Mas, quando temos 100% da educação fundamentalatendida pela prefeitura, não temos falta de matrícula. Aprefeitura do Rio, com exceção dos países nórdicos, em 2005,universaliza a pré-escola - crianças de 4 e 5 anos - e não hápaís do mundo que tenha feito isso, universalização através deinvestimento público. A prefeitura do Rio tem o maior contratodo mundo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid), US$ 600 milhões no período de dez anos, que se completa agora no final de 2005 que é o favela-bairro. A esses US$ 600 milhões serão agredados mais US$ 400 milhões. E pergunto, essa equação vale? Não valeria a pena urbanizar as favelas se por um acaso houvesse qualquer problema em matéria de oferta de atendimento na área de educação e saúde, claro que sim. Porque urbanização de favela é saúde também. Porque é saneamento, a criança não pisa mais na lama. É saúde mental, viver em uma comunidade organizada, com iluminação pública, pavimentação. O esporte, então, é saúde diretissimamente porque é física e mental. O esporte desenvolve hábitos alimentares. A obesidade é a doença do terceiro milênio e o esporte exige que a criança se ajuste aos alimentos corretos, verduras, frutas, tipo de massa que pode comer para ter energia. O esporte gera inclusão social em função da atratividade, que a escola muitas vezes não consegue naquele jovens que estão em dúvida em continuar estudando. Por isso, o investimento vinculado à escola em esporte e cultura é um de permanência de aluno na escola. Levaria qualquer país a um marasmo imaginar que você seria capaz de deixar tudo de lado e investir no social. Investiremos tanto mais e melhor no social quanto menos pessoas precisarem do Estado. E para que isso ocorra é necessário que a economia cresça, crie empregos, que gera mobilidade social. E o esporte cumpre essa função pelasrazões que já mencionei. AE - Com tantos investimentos, a candidatura olímpica é um dos pontos principais neste processo. O senhor acredita que o Rio possa ser eliminado agora em maio da disputa? Maia - Impossível. Você acha que alguém teria escolhido o Riocomo sede, para a passagem da tocha olímpica se o já nãoestivesse previamente selecionado? Para ficar com os Jogos nóstemos uma disputa que não é fácil com Paris, porque ela estásendo candidata pela terceira vez. Se fosse pela primeira vez,eu diria que o Rio é favorito. É só pegar na Internet os sitesespecializados que nossa cidade está sempre entre as trêsprimeiras. AE - Mas, o favoritismo do Rio pode ser afetado pelo crônicoproblema da violência... Maia - A segurança pública é um problema. Mas, problema paravaler mesmo é o terrorismo. A segurança pública você define umcampo de controle e controla, como já fizemos várias vezes emoutras ocasiões, como a Eco-92. E a escolha da Barra da Tijucafoi exatamente para dar garantias de segurança. Os especialistasinternacionais que têm vindo à cidade estão absolutamentetranqüilos, porque sabem que na Barra a segurança se faz semproblemas. O problema nosso, o nosso ponto fraco, que seria esse não pode ser comparado com os países do primeiro mundo, por causa do terrorismo. AE - Apesar das avaliações positivas dos analistas, episódioscomo os ocorridos na favela da Rocinha, em São Conrado, próximo à Barra, podem servir de argumentos aos adversário para enfraquecerem a candidatura carioca. Afinal, esta é uma disputa política e haverá uma intensa disputa nos bastidores. Maia - Cada vez que uma candidatura usa qualquer tipo deinsinuação contra a outra ela é desclassificada. E estamosfalando de delegados internacionais, que não vão ficarsensibilizados por um episódio. É como se dizia que nada podeacontecer em Nova York e houve o 11 de setembro. E diria queeste fato na Rocinha foi a nosso favor. Imagine se ele aconteceum pouco mais na frente? Ocorrendo agora, exigindo do governo do Estado uma presença que não existia naquela área, estabilizada pela sua condição de distribuidor de droga, vai ser bom, porque eles não poderão sair dali. Agora, repare que em nenhum momento nada que existe em torno da Rocinha nem sequer foi afetado. Não tivemos nenhum tipo de repercussão física na faixa de São Conrado, que é alta classe média, inclusive, moro lá, como pessoa física. Não tivemos nenhuma repercussão física na Gávea e no Leblon, porque os próprios bandidos sabem qual é o mercado deles. O que houve foi uma disputa de boca de fumo, que a área de segurança explica com facilidade. AE - O senhor se mostrou favorável à presença das ForçasArmadas no Rio para resolver os problemas de segurança pública. Esta ajuda está sendo discutida para os Jogos Pan-Americanos? Maia - Não sei se vai ser necessário, mas o Comando doExército tem um general (Sérgio Rosário) designado para tratardos assuntos ligados ao Pan-Americano. A presença policial dasForças Armadas além do necessário é preventiva. Quanto maior a presença, nemos chance de ocorrer algo. Em função de suacondição específica, Atenas está aplicando em segurança pública, lato sensu, US$ 500 milhões. E aqui no Rio estamos falando de narcovarejistas, não de terroristas e acho que isso não vai preocupar ninguém, principalmente, porque a empresa (aaustraliana Intelligent Risks PTY) que contratamos paraassessorar-nos na segurança é considerada uma das tops domundo. AE - Além da Intelligent Risks PTY, outra empresa australianaa MI Associates PTY está auxiliando o Rio na disputa olímpica.Os relatórios já apresentados identificaram a necessidade dapresença militar? Maia - No relatório da MY, o termo segurança pública nunca édestacado como um problema. Na visão deles, nossa maiordificuldade está na questão do meio-ambiente e no transporte. No segundo relatório que recebi dos australianos veio umaobservação de que o Rio de Janeiro só pode perder a candidatura de 2012 para o Rio de Janeiro. AE - E nesta disputa olímpica o senhor citou que Paris é acidade a ser vencida. Londres e Nova York não chegam aincomodá-lo? Maia - Acredito que não. Primeiro porque a Inglaterra vive umasituação de imprevisibilidade política a médio prazo e oprefeito de Londres se posicionou contra. A opinião pública,medida por pesquisas, também é contra porque não quer sersobreonerada e nem acha necessário fazer ali as olimpíadas. Além disso, o lugar escolhido, segundo especialistas não é muito bom. E, depois, temos o terrorismo. Imagine o que é uma notícia de jornal informando que já se identificou a existência de armaquímica sendo desenvolvida na Inglaterra para uso com um impacto massivo. E como é que se segura isso? E Nova York não preciso nem falar. A probabilidade de o presidente Bush ganhar as eleições é muito grande. E ele tem um governo que tem uma característica muito confrontante e isso pode ser um peso forte contra. AE - E Paris? Maia - O Chirac (presidente da França) não se movimenta, quem faz isso é basicamente é o prefeito de Paris, Bertrand Delanoe. E, daqui a pouco eles serão adversários políticos. Do outro lado as olimpíadas não vão ser realizadas em Paris, que não tem área para isso, mas em Saint Denis. E volto a dizer que o Rio só não é o franco-favorito, porque não é a primeira vez que Paris se candidata. AE - O senhor tem enfrentado resistência dentro do Brasil àcandidatura carioca? Por exemplo, o presidente da ConfederaçãoBrasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que também tentatrazer para o País um importante evento, a Copa do Mundo de 2014 é um opositor? Maia - Não tenho nenhum oponente à candidatura do Rio. ORicardo Teixeira se mostrou totalmente receptivo à propostaolímpica. Fui à posse dele esse ano e ele me falou que poderiacontar com sua ajuda. Inclusive, me prometeu que o Rio, o Maracanã, será o palco das cerimônias de abertura e encerramento da Copa do Mundo de 2014, que já está certo de ser realizada no Brasil. AE - Ser a sede de uma edição dos Jogos Pan-Americanos e uma candidatura aos Jogos Olímpicos, evidentemente, traz algumas vantagens no campo eleitoral e o senhor é candidato este ano à reeleição. Pretende usar essas conquistas para angariar votos? Maia - Depende dos adversários. Na medida em que eles secolocam como atores desse processo e isso têm acontecido comdois deles. Já outros não têm se colocado como atores desseprocesso, aí o eleitor julga quem está mais capacitado paraconduzir esse processo. AE - Além dos esportes olímpicos, recentemente, o senhorpassou a oferecer ajuda aos clubes de futebol. O Vasco,inclusive, já estampou em sua camisa a logomarca do Rio... Maia - Por livre recreação do Vasco. Não tenho nada assinadocom eles e estou querendo que exista. Agora, a prefeitura tem asua verba de publicidae. Ela pode colocar na televisão: CesarMaia é o maior. A prefeitura é uma maravilha, sem parar, semparar...Agora, podemos fazer outro tipo de promoção. Na camisado Vasco não tem a marca da prefeitura. Tem a marca do Rio deJaneiro. Portanto, não é uma promoção da prefeitura. E essapromoção tem um valor de mercado. No caso, estamos pensando na casa de R$ 2,5 milhões por ano. Por exemplo, o Flamengo não pode nos oferecer espaço publicitário porque já tem um contrato. Então, estamos dispostos a investir no seu Centro de Formação de Atletas, em Vargem Grande, desde que ele também seja de uso público e a gente possa direcionar parcialmente o uso desse equipamento. O Fluminense nós estamos discutindo na mesma base do Vasco, que é a promocional, não apenas na camisa, mas nocampo, áreas externas do clube, de grande visibilidade. Com oVasco espero fechar contrato até semana que vem porque já erapara ter sido acertado. AE - A idéia é oferecer R$ 2,5 milhões para cada grande clubedo Rio anualmente da verba de publicidade da prefeitura? Qual ovalor dessa verba e por que com o Botafogo o acordo é diferente,já que envolve a construção de um estádio? Maia - A nossa base financeira é essa. Estamos deslocandorecursos de publicidade, que nesse ano são R$ 9 milhões, para apromoção para o esporte. E o Botafogo é um caso diferente porque a proposta deles foi bem recebida pela prefeitura. Temos um crédito com a Rede Ferroviária que não conseguimos executar. Na medida que conseguimos dar liquidez a esse crédito, mobilizando uma área que é uma espécie de buraco negro da cidade, entre a estação de trens da Leopoldina e a rodoviária, para a construção de um estádio moderno, de uso múltiplo, o negócio nos interessa. Daríamos a nossa parte e o Botafogo completaria o restante. AE - A idéia de contratar jogadores para reforçar os clubes,como o senhor tentou concretizar trazendo o meia Rivaldo para oBotafogo, foi abandonada? Maia - Ninguém mais me sugeriu isso. Sobre o Rivaldo, senteiaqui nesta sala com os empresários dele. Definimos um valor,ficou tudo bem equacionado. Depois li no jornal que o Cruzeiroofereceu um valor menor e que conseguiu contratá-lo. Enfim, nãosei como foi o contrato mas a prefeitura só pode pagar pordentro. E o por dentro tem imposto de renda. Então,provavelmente, o por dentro não tenha interessado totalmente aeles. Depois daquilo nenhum clube me procurou. Mas, parapropor um negócio desse tipo tem que ser o Rivaldo. Um jogadorque tenha um valor promocional. O Rivaldo custaria cerca de US$ 900 mil por ano e por isso chegamos ao valor de R$ 2,5 milhões. Agora, é o Rivaldo com a marca do Rio, promovendo o Rio, aparecendo na TV falando que o Pan é aqui. E não posso fazer isso com qualquer atleta, por melhor que seja. Ele precisa ter um valor de mercado. AE - O senhor mencionou que o Rio voltaria a ser um centro novôlei feminino. O que quis dizer com isso? Maia - Estou conversando com o Bernardinho (técnico da seleção masculina de vôlei e diretor do time femininoRexona/Ades/Paraná) e há um interesse da equipe de vôleifeminina vir para o Rio. Por enquanto, só me coloquei àdisposição e conversei com o Bernardinho, não o induzi a nada. A vinda deles seria por causa do Pan-Americano e em função davisibilidade do Rio. Não haveria outros patrocinadores e aequipe se chamaria Rio de Janeiro. E o valor a ser investidoseria de cerca de R$ 1 milhão por ano. AE - Ao informar que o valor do contrato para a realização doGrande Prêmio de Motovelocidade é de R$ 10 milhões, foi possível concluir que o negócio está concretizado e o evento deste ano assegurado. Não terá problemas de última hora como ocorre em todos os anos? Maia - O contrato já foi assinado e está tudo certo, espero. Amotovelocidade é um evento importante, que tem uma audiênciamaior do que a Fórmula-1 fora do Brasil. Chega a uma quantidade maior de países e, por incrível que pareça, a sua transmissão do ponto de vista comercial interessa mais do que a Fórmula-1, que é uma transmissão de prestígio. Neste ano, consegui incluir no pacote seis inserções comerciais, de um minuto, da cidade do Rio de Janeiro no mundo todo. AE - E qual será o próximo projeto do prefeito? Maia - Sonho todo mundo tem. Mas, sou daqueles que só entram no assunto quando for realidade. O que desejo é que o Rio chegue a 2007 com sua centralidade esportiva recuperada. Tenho feito pesquisas e a população mostrou que tem compreendido os investimentos. E é impressionante o retorno favorável.

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