Céu e inferno

Futebol às vezes lembra o jogo da amarelinha, em que se parte do inferno para o céu, e vice-versa, em poucos minutos. A rodada do fim de semana pelo mundo teve desses altos e baixos, para artistas da bola e para seleções badaladas. Teve gente que se consagrou, teve quem saiu chamuscado. Houve até fortaleza que ruiu, num vaivém interminável, sempre a produzir heróis e vilões efêmeros.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h01

O Campeonato Brasileiro é fonte inesgotável de personagens. Só no domingo, deu para pescar quatro, que ilustram o mote desta crônica: Luis Fabiano e Fabrício, no Morumbi, além de Juninho Pernambucano e Mazinho, na Arena Barueri. Se escarafuncharmos mais, aparecem outros; mas estes bastam.

Luis Fabiano contribuiu de maneira decisiva para a vitória do São Paulo sobre o Atlético-MG, por ter feito o gol que definiu o placar de 1 a 0. E marcou bem à sua maneira: aproveitou lançamento longo, livrou-se do zagueiro, ajeitou o corpo, viu o ângulo e bateu sem chance para o goleiro Giovanni. Gol de quem conhece segredos da grande área.

Mas, se tem controle sobre espaço reduzido, ainda não aprendeu a domar o temperamento. O trintão Fabuloso, o capitão tricolor, por pouco não pôs tudo a perder, ao levar o segundo cartão amarelo (por reclamação) e por consequência o vermelho poucos minutos antes do apito final. Perdeu a cabeça, como aconteceu em outras ocasiões - recentes, até, e deixou os companheiros apreensivos para aguentar o rojão. Os três pontos evitaram a bronca maior.

Não vale usar como atenuantes eventuais decisões arbitrárias do juiz. Não cola mais, para quem já enfrentou de tudo no futebol, de zagueiros leais a botinudos, de jornadas memoráveis à angústia de cirurgias e meses a frequentar ambulatórios. Luis Fabiano não é mais garoto, tem de aprender que a verdadeira malandragem está em dribles e gols.

Inferno vive Fabrício, moço com talento que veio para ser alternativa no meio-campo tricolor. Não consegue emplacar sequer um jogo inteiro, sem sofrer contusões. Já foram três, graves, a mais recente no primeiro tempo de ontem, ao tropeçar junto à lateral. Saiu com suspeita de lesão de ligamento no joelho.

A glória sorriu para Mazinho e Juninho Pernambucano, autores dos gols do empate por 1 a 1 no bom jogo entre Palmeiras e Vasco. O Messi Black reforça status de talismã alviverde. Como havia ocorrido no meio da semana, diante do Grêmio, entrou durante a partida e colocou o time em vantagem. Craque que possa lembrar o ídolo do Barcelona? Não, longe disso. Porém, esforçado com o Luan a quem substituiu, com a estrela de fazedor de gols.

Juninho justificou ainda uma vez o apelido de Reizinho no clube da Colina. Não demora muito e baterá nos 40 anos; no entanto, esbanja categoria como poucos. No clássico de ontem, foi o destaque da equipe e teve desempenho premiado com o lindo gol de falta que garantiu a invencibilidade e a liderança na Série A nacional.

Não se pode, mesmo, duvidar de craque. Que o diga Cristiano Ronaldo. O português levou bordoadas, por atuações sem brilho na Euro-2012, e deu o troco em grande estilo, ao marcar os gols da vitória de virada por 2 a 1 sobre a Holanda. Resultado que empurrou Portugal para a fase seguinte da competição europeia. O rapaz pode usar a máscara à vontade, porque na hora H decide.

Já a Laranja Mecânica leva, por enquanto, o troféu de maior decepção da Euro: volta para casa com três derrotas e muita discussão interna. Terá hoje a Itália destino semelhante?

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.