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Antero Greco
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Chama a mamãe

Sport e Internacional têm ações interessantes como alternativas ao tradicional método de proibir ou descer a borracha para conter a violência no futebol. O clube pernambucano apelou para a colaboração de mamães de torcedores e o gaúcho pretende misturar rivais nas cadeiras no clássico com o Grêmio, marcado para o dia 1.º.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2015 | 02h06

As duas experiências merecem aplausos, no mínimo porque saem do lugar-comum e mostram que alguém resolveu pensar diferente. Suponho que você, sempre bem informado, já saiba do que se trata. Por precaução, faço um resumo de algo positivo e que precisa ir adiante.

O Sport chamou mães de integrantes de organizadas e as colocou como fiscais em um setor das arquibancadas para o jogo de domingo com o Náutico, pelo Campeonato Pernambucano. O gesto causou surpresa e foi bem recebido, principalmente por valentões que reconheceram a mãezinha e foram lá pedir-lhe a bênção. O clima na Arena Pernambuco ficou ameno e comprovadamente houve menos episódios duros.

Agora vem o Inter e anuncia que reservará um setor do Beira-Rio para ser dividido entre colorados e tricolores, todos juntos e misturados. Procedimento bem simples: um simpatizante do Inter compra um ingresso e ganha outro de presente. A contrapartida está no compromisso de levar um gremista.

Não é espaço generoso, em torno de 1,5 mil a 2 mil lugares. Mas imagine como será bacana ver uma dupla de amigos que torcem para cada lado, ou casais, ou pai e filhos. É tão comum vermos tal situação no dia a dia e se tornou impensável e proibitivo nos estádios. Se der certo, na próxima vez abre-se clareira maior, nesse território neutro, em que prevalecerão alegria, zoação, confraternização, mesmo que ao redor fiquem os ressentidos com algum escárnio e provocações. No fundo, perceberão o quanto são tontos.

Mesmo que não deem nada, são iniciativas simpáticas, um ligeiro movimento para resgatar harmonia. Enfim, uma forma de dizer que se trata de gente, e gente é que conta. Muito melhor isso do que ver estratégias de guerra nos arredores das praças esportivas. Sorte a Sport, Inter e homens de boa vontade que os venham a apoiar.

Quem sabe, seja o pontapé inicial para mandar para escanteio a aberração, cívica e esportiva, de torcida única?

Cumprir tabela. O futebol prega peças, ninguém se classifica de antemão (salvo por maracutaias), o jogo é jogado e etc. etc. Sei disso tudo, ainda assim nem com excessivo pessimismo dá para supor que o Corinthians fique fora da fase principal da Libertadores. Os 4 a 0 obtidos na semana passada sobre o Once Caldas, no Itaquerão, representam vantagem enorme, praticamente insuperável, mesmo na altitude de Manizales (pra lá de 2 mil metros).

O time brasileiro se encontra em estágio superior ao colombiano. O período de preparação foi bem aproveitado por Tite, que tem noção clara do que deseja ver em campo. A ausência de Guerrero e Fábio Santos, suspensos, altera um pouco a estrutura tática, não a ponto de empená-la.

Vá lá que milagres acontecem, mas não a todo momento. Idem com tsunamis. É necessária a combinação dos dois fenômenos para que o Corinthians volte sem a vaga.

Já?!?! O Palmeiras deve ter várias modificações para o jogo com o Rio Claro, hoje à noite, outra vez em seu estádio. Oswaldo de Oliveira (que anteontem grafei com "v") parte para a quarta escalação diferente em quatro jogos pelo Paulistão (todos em casa, vejam só), em sinal evidente de que não fechou questão em torno de nomes. Há quem veja na escolha sinal de que o treinador sente pressão, após duas derrotas consecutivas. O Palmeiras é, e sempre será, para quem tem nervos de aço.

Enciclopedião. O estádio do Botafogo agora tem o nome de "Nilton Santos", a Enciclopédia e lenda do futebol. Homenagem justa e não puxa-saquismo pra cartola como o anterior.

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