Chame o craque

Futebol é jogo coletivo, onze contra onze, todos ganham e todos perdem, e aquela coleção de frases lapidares que conhecemos de cor e salteado desde os primeiros chutes na bola. Pois uma dessas verdades prevaleceu na rodada de final de semana: o craque resolve. O tradicional Pacaembu serviu de palco, em menos de 24 horas, para mais duas demonstrações de que jogador acima da média vira bênção para a equipe que o abriga. Na noite de sábado, Neymar desmontou o Palmeiras com dois gols, na virada por 2 a 1 para o Santos. Na tarde de ontem, Luis Fabiano repetiu o roteiro, na reação do São Paulo, e decretou os 2 a 1 diante do Corinthians.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2012 | 03h01

Ambos tiveram desempenho que derrubou o desenho tático e a superioridade momentânea do rival. No clássico noturno, o Palmeiras dominava, pressionava, criava e merecera abrir vantagem com Correa. Levou choque, em seguida, com o empate em cobrança de falta, e se desmanchou com o segundo gol.

No duelo dominical, Luis Fabiano justificou os apelidos de Fabigol e Fabuloso, que andavam em desuso. Após desfalcar o São Paulo em várias rodadas, por mais uma de suas cíclicas contusões, botou por terra um desses tabus que a todo instante se descobrem para dar colorido e toque de originalidade aos duelos. O time dele havia seis jogos não ganhava do Corinthians no estádio municipal. Algo que não mudaria o valor do dólar, mas que rendeu provocações entre torcidas.

Por pouco o estigma não se manteve. O Corinthians foi formidável e largou com a corda toda. Nos primeiros 15 minutos, abriu vantagem, com Emerson (que também regressava, depois de período na enfermaria), e poderia ter feito pelo menos mais dois, tantas as chances que criou. Era um vareio só pra cima de Rogério Ceni, que não teve paz.

O panorama era ideal para aumentar a pressão sobre Ney Franco e rapaziada, que estavam com oito derrotas nas costas e com um pé fora do bloco principal da Série A. "Porém, ai porém, há um caso diferente, que marcou num breve tempo", como cantou Paulinho da Viola (obrigado, mestre). Daí, apareceu o gênio do goleador: aos 23 minutos, Luis Fabiano iniciou jogada com Lucas e chutou cruzado, fora do alcance de Cássio, para empatar. O gol deu outro astral ao tricolor e tornou a partida melhor.

Luis Fabiano desembestou a correr pra cá e pra lá, ficou mais ligado do que nunca, reclamou com o juiz, incomodou os adversários. Enfim, estava com a pilha carregada. Tão carregada que aos 16 do segundo tempo mandou para o espaço a sequência de derrotas para o Corinthians, e com gol bonito, com direito a drible da vaca no goleiro.

A prudência recomenda: não se deve desdenhar de quem tem intimidade com a bola. Neymar, que espíritos invejosos querem classificar como cai-cai, mostrou no sábado como se faz para desatar um nó. Luis Fabiano, que afoitos consideram pipoqueiro, deu o recado ontem. E ainda bem que existem esses personagens no futebol. Imaginou o tédio que seria só com montes de boleiros medianos?

Relação abalada. Santos e Ganso se entendem cada vez menos. O clube não esconde irritação com o rapaz, que por sua vez não disfarça o desapontamento com o clima ruim. O resultado desse estremecimento é baixo rendimento em campo e desgaste fútil para ambos os lados. O mais sensato seria o jovem seguir a carreira em outro local e o Santos receber recompensa à altura daquilo que investiu nele. A queda de braço não tem feito bem para ninguém.

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