CHEFE DE GRUPO POLICIAL DO RIO CRITICA CARTOLAS

O primeiro passo para diminuir o poder das torcidas e minimizar o problema da violência deve ser dado pelos clubes. São os dirigentes quem têm de parar de dar ingressos para as uniformizadas, brecar o aluguel dos ônibus para as caravanas e, principalmente, deixar de abrir os portões dos centros de treinamentos para as torcidas quando querem pressionar o time por meio do grito da galera.

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2013 | 02h03

Essa análise é do tenente-coronel João Fiorentini, que comanda 200 homens do Grupamento Especial de Policiamento em Estádio (Gepe), do Rio de Janeiro. Fiorentini tem uma credencial vistosa para emitir sua opinião: o Gepe é uma polícia especializada em eventos esportivos, com treinamento específico, e considerada pelo Ministério dos Esportes a melhor do país em sua especialidade.

"Precisamos de maior iniciativa dos clubes, que devem colaborar mais", diz o comandante do Gepe.

Os dirigentes dos clubes financiam e mimam as torcidas em troca de apoio político nas eleições. O ingresso é, portanto, uma moeda de troca com finalidade política e financia as facções. No caso do Vasco, por exemplo, os membros das organizadas pagam meia-entrada nas partidas realizadas em São Januário (vale lembrar que um ingresso nos jogos decisivos custa cerca de R$ 60).

Investigações da Operação Fair Play, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, sobre a morte do torcedor vascaíno Diego Martins Leal, em agosto de 2012, mostram uma estreita dependência financeira, ainda mais perigosa, entre clubes e torcidas.

Na investigação, o então vice-presidente de finanças do Flamengo, Michel Levy, confirmou que o clube repassava ingressos às torcidas. Ele não informou a quantidade, mas um dos presos disse que havia jogos em que recebiam três mil ingressos, que eram revendidos ao custo de R$ 15 cada. Um jogo significava, portanto, R$ 45 mil.

A atual diretoria garante que, desde que assumiu, em janeiro deste ano, não repassou ingressos, dinheiro ou qualquer benefício às torcidas organizadas.

O coronel Fiorentini também chama a atenção para as brigas entre as torcidas do mesmo time, que crescem em todos os Estados, e concorda com a punição para os clubes em casos de atos cometidos pelos torcedores.

"O Corinthians deve ser punido (no caso da morte do torcedor boliviano), mas não pode ser penalizado sozinho. Todos têm de pagar." / G.Jr. e R. R.

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