Chega de perder gol!

Enquanto aguardamos início de jogos nos centros de mídia dos estádios, a Fifa passa nas TVs as partidas alheias, algumas entrevistas e, quando nada disso está acontecendo, filmes com cenas de outras Copas. Entre os mais divertidos estão o de ''frangos'' dos goleiros e o de gols perdidos, muitos deles na pequena área, sem goleiro, e por craques que vão de Pelé a Ronaldo. Mas esta Copa do Mundo sul-africana já deu vasta contribuição para as duas antologias, especialmente a dos gols perdidos. Os jogos na maioria não têm sido fechados, defensivos, e ambos os times têm tido muitas chances. Mas o desperdício tem sido incrível; baixou o Kleber Pereira em quase todo mundo.

DANIEL PIZA, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Como a Copa tem sido jogada em nível técnico muito baixo, há saudosistas de todos os fundamentos: dos dribles (que só Messi tem oferecido em profusão), dos passes precisos, dos lançamentos longos... Mas os erros de finalização chamam mais atenção do que todos. A culpa não é da Jabulani, já que até quem a chamou de "bola de supermercado" (Luís Fabiano) calculou pelo menos uma biaba no gol (o primeiro contra a Costa do Marfim), os japoneses acertaram cobranças de falta com perfeição, Villa e Suarez marcaram com chutes de curva, etc. A maior culpa é a da falta de categoria e/ou tranquilidade. Até mesmo Messi, o melhor jogador até aqui, não conseguiu fazer o seu, embora seja quem mais tenha chutado a gol entre todos que vieram. Pode crer que ele gostaria de ter feito; caso contrário, não seria tão fominha às vezes.

Isso levanta outra questão, a má fase dos poucos craques presentes. Como jornalista, recebi diversas revistas, guias e publicações sobre a Copa e em todas elas há uma lista dos principais nomes a observar. Tirando a média, podemos dizer que eles são Messi, Kaká, Cristiano Ronaldo, Rooney, Drogba, Etoo, Podolski e Fernando Torres. Bem, Messi, Kaká, Rooney e Torres não marcaram nenhum gol em três jogos. Cristiano Ronaldo só fez um na goleada de sete sobre a Coreia do Norte, Drogba de cabeça contra o Brasil e Podolski na estreia. Etoo fez dois, um de pênalti, e jogou mal. E seria covardia lembrar o fiasco do setor na Itália e na França.

Os artilheiros - além de Suarez (4) e Villa, Higuaín e Vittek (3) - não são ou não eram para ser as estrelas de seus times. Mas veja o gol que o espanhol Villa marcou contra o Chile, batendo de primeira, de esquerda e de efeito a 40 metros da trave vazia. E o que o uruguaio Suarez fez ontem contra a Coreia do Sul, quando esta vinha jogando melhor e o jogo estava empatado, um chute que fez a Jabulani traçar parábola inatingível para o goleiro. Ambos foram um pouco de poesia neste Mundial tão prosaico. Mas quem sabe a história comece a ser mudada hoje, com os clássicos Argentina x México e Alemanha x Inglaterra? Ainda tenho a esperança de que, no filme dos gols mais bonitos das Copas, a Fifa possa acrescentar alguns exemplares de 2010.

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