Chegada da bandeira ao Rio se transforma em ato político

Prefeito Eduardo Paes capitaliza em prol de sua candidatura à reeleição; e entidades aproveitaram para fazer protestos

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2012 | 03h06

Candidato à reeleição, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, aproveitou ontem a chegada de Londres com a bandeira olímpica para apresentar um vídeo sobre a cidade-sede dos Jogos de 2016, com música composta pelo sambista Arlindo Cruz, que já declarou apoio à sua candidatura. "A partir de agora, passa a ser a canção oficial da cidade", disse Paes.

Enquanto Paes desembarcava ao lado do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, do governador Sergio Cabral e de atletas olímpicos, integrantes do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas protestavam contra remoções promovidas em favelas. Policiais federais em greve aproveitaram o evento para fazer uma manifestação.

O prefeito desceu a escada do Airbus A330 da Air France empunhando a bandeira de 2,22 metros por 1,54 metro. A entrevista de Paes foi marcada por elogios ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Nuzman e à presidente Dilma Rousseff, que receberá hoje o prefeito e o governador do Rio em Brasília. "Se não fosse a liderança e a competência do Nuzman, não estaríamos aqui", disse Paes. "Lula foi a peça mais importante."

Referindo-se aos protestos, Paes criticou "politiqueiros de plantão" e disse que a única desapropriação relacionada à Olimpíada de 2016 será a da favela Vila Autódromo, em Jacarepaguá, na zona oeste, que fica no terreno do futuro Parque Olímpico, e que os moradores "só sairão com muita conversa".

O prefeito afirmou que o Rio terá o "maior legado da história dos Jogos". Sobre o andamento das obras, não foi tão otimista. "Não estamos em posição confortável, mas estamos dentro do prazo". Segundo ele, as grandes obras, com duração prevista de mais de 3 anos, já estão em execução. No entanto, voltou a afirmar que não é possível anunciar hoje o orçamento total.

Em discurso, Robert Scheidt agradeceu o apoio do comitê olímpico, considerou o resultado em Londres positivo e disse que dá para melhorar até 2016. "A torcida ajudou os ingleses em casa. Vamos ganhar com isso." Depois, disse que não será possível formar novos atletas. "A geração de 2016 é a geração de atletas já formados, que estão com 18 ou 20 anos. Tem que polir. Quatro anos parece muito, mas para o esporte não é muita coisa", afirmou o iatista.

Vice-campeão olímpico, o boxeador Esquiva Falcão destacou que os atletas que não têm apoio oficial devem levantar a cabeça. "Ninguém conhecia a gente. Foi superação, garra e vontade de vencer. Vamos treinar e focar no ouro", disse, ao lado do irmão Yamaguchi, medalhista de bronze. Esquiva ainda lamentou a falta de um centro de treinamento específico para a modalidade.

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