''''Chegamos sem apoio e voltamos sem nada''''

Orgulho, tristeza e conformismo. Estes eram os sentimentos que se misturavam no vestiário da seleção brasileira após a perda do título mundial para a Alemanha. O time, que chegou invicto à sua primeira final de Copa do Mundo, até atuou bem, mas não resistiu ao jogo eficiente das adversárias.Por isso, o técnico Jorge Barcellos demonstrou estar conformado com o resultado. ''''A partida foi muito difícil para o Brasil, que teve até boas chances de gol do primeiro tempo. Na segunda etapa, a Alemanha de fato foi mais objetiva e fez os gols'''', explicou.Visivelmente abatida com a derrota por 2 a 0, a capitã Aline mostrava preocupação com o futuro. ''''Chegamos até aqui sem apoio nenhum e agora voltamos para casa sem nada. Sabemos que, no Brasil, o segundo lugar e o último têm o mesmo valor'''', queixou-se. ''''As pessoas precisam compreender que enfrentamos uma equipe muito forte na final'''', acrescentou.A zagueira Daiane, por sua vez, assumiu a responsabilidade pela faixa de protesto contra a falta de apoio ao futebol feminino, exibida pelas jogadoras ainda no gramado após a derrota. ''''Assumo mesmo a responsabilidade. Fizemos isso para chamar a atenção das pessoas responsáveis pelo futuro das jogadoras que atuam no Brasil, pois lá não há liga, campeonato, patrocinador, nada.''''Para a atacante Cristiane, o importante é lembrar o que foi feito durante toda a competição. ''''Foi um dia triste, mas o time fez um ótimo trabalho. Nós temos 21 jogadoras de muito talento, e acho que demos um exemplo muito bom às meninas brasileiras.''''A atacante Marta, que além de artilheira foi considerada a melhor jogadora do Mundial, fez questão de dizer que seus prêmios, apesar de individuais, só puderam ser conquistados com a ajuda das companheiras. ''''Cada uma das meninas e o nosso treinador têm um pedacinho destes troféus. Mas, pessoalmente, eu os dedico à minha mãe, que sempre me estimulou a jogar futebol.''''Sobre o pênalti que perdeu, a camisa 10 foi objetiva: ''''Fui muito infeliz na cobrança.'''' E o que ela acha do segundo lugar conquistado? ''''Significa muito para nós. Temos demonstrado que melhoramos nosso nível técnico. E isso sem termos um campeonato oficial no Brasil'''', disse Marta, que joga na Suécia desde 2003.

O Estadao de S.Paulo

01 de outubro de 2007 | 00h00

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