Chegou a hora de Rosicléia festejar

Técnica do time feminino desde 2005, a ex-atleta transformou um grupo desacreditado em um dos mais respeitados

WILSON BALDINI JR. , ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h06

LONDRES - Rosicléia Campos não é uma mulher que esconde seus sentimentos. Ontem, na Excel Arena, sua alegria com a medalha de ouro de Sarah Menezes foi contagiante. Com lágrimas nos olhos e um sorriso aberto, a técnica da seleção brasileira estava eufórica. "É um sonho realizado." No comando do time feminino desde 2005, Rosicléia sabe muito bem conviver com tensão pré-menstrual, briga com namorados, vaidade e tudo que faz parte do dia a dia de uma mulher. "Sem dúvida, tomar conta de sete meninas é muito complicado, mas acho que eu as adotei como filhas e elas me adotaram como mãe."

Nestes sete anos, além de administrar problemas pessoais de suas atletas, Rosicléia também colaborou muito para transformar o time feminino do Brasil de um grupo desacreditado em um dos mais respeitados da atualidade. "Não dá nem para comparar com o tempo em que eu era atleta", disse a ex-judoca, que esteve nas Olimpíadas de 1992 e 1996.

Logo no primeiro dia dos Jogos em Londres, Rosicléia alcançou sua maior meta. "A ideia era chegar a uma final olímpica, o que já seria nossa melhor participação. Mas veio o ouro. Graças a Deus." E o judô feminino do Brasil não deverá parar por aí. Pela posição no ranking, é bem possível que pela primeira vez as mulheres tenham um desempenho melhor que os homens. "Acho que elas estão em um grande momento. Mas os meninos têm muita experiência e isso conta muito. Bem que poderíamos ganhar medalhas em todas as categorias, né?", brincou.

Emoção. Enquanto Sarah Menezes recebia a medalha de ouro, Expedito Falcão era pura emoção na arquibancada do Excel Arena. "Passa um filme muito rápido nesse momento", disse, com lágrimas nos olhos, o treinador da judoca desde os 9 anos de idade, em Teresina.

Expedito lembrou do tempo em que Sarah fugia dos treinamentos e também do tempo em que batia "demais" nos garotos. "Desde o começo ela fazia coisas que as outras crianças não faziam. Ela possui um talento nato. Coisa que nasceu com ela. Só precisamos lapidar."

O treinador falou da importância de Sarah seguir treinando em Teresina. "O COB enviou um tatame oficial para o CT Sarah Menezes. Desta forma, outros atletas como ela vão surgir. Não é porque o Piauí é um estado pobre que não poderá revelar talentos para o esporte." Sarah sabe de sua importância em colocar seu estado na geografia do judô nacional, saindo de São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. "É importante para o judô essa descentralização."

Premiação. A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) colocou R$ 1 milhão a ser distribuído para os atletas que ganharem a medalha. Sarah e Felipe Kitadai saíram na frente nessa disputa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.