Chegou mais tarde? Ficou com lugar ruim

Torcedores que se concentraram no Setor G, o mais ''''popular'''' do GP, madrugaram para ter vista melhor

Martín Fernandez, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2007 | 00h00

Mesmo um esporte elitista como a Fórmula-1 tem seu espaço popular. No caso do Grande Prêmio do Brasil, o Setor G das arquibancadas é o que mais se assemelha à geral de um estádio de futebol. O setor, localizado na Reta Oposta, foi o primeiro das arquibancadas a ter os portões abertos. Na ânsia por reservar um bom lugar, os torcedores formaram filas ainda na madrugada. Às 6 horas, puderam enfim ocupar seus assentos.Maneira de dizer, porque não há assentos no setor G: só tábuas de madeira, que esquentaram um bocado ontem, com a temperatura de 35 graus. Os torcedores que pagaram R$ 345 pelos ingressos (o pacote de três dias) transformaram aquele pedaço de Interlagos numa arquibancada de futebol: camisas de times tão diferentes quanto Flamengo, Sampaio Corrêa e Criciúma. Bandeiras da Venezuela e da Finlândia.Quem chegou cedo defendeu os lugares conquistados com unhas e dentes. Ou melhor: com bom humor, gritos e constrangimento alheio. Os que chegaram depois das 8 horas encontraram arquibancadas lotadas e torcedores hostis. ''''Acordou tarde, tomou café, agora vai ficar de pé'''', cantavam os que chegaram cedo. Ainda assim, os desavisados tentavam cavar um lugarzinho. Não conseguiam e ouviam gritos de ''''desce, desce''''. Eram obrigados a obedecer.Nos corredores inferiores, o administrador de empresas Fernando Amaral, de 29 anos, arrancava risadas dos outros torcedores. Vestido de Fred Flinstone, carregava um estoque de placas, que usava para classificar os desavisados que por ele passavam. As mulheres eram agraciadas com placas que diziam ''''gostosa'''', ''''meia boca'''' e ''''só bêbado''''. As que ele mostrava para os homens são impublicáveis. ''''A gente tem que descontrair o pessoal'''', justificou.Na parte de trás das arquibancadas, concentrava-se o maior motivo de reclamação: R$ 4 por cerveja ou refrigerante, R$ 3 por garrafa d''''água. Quem se irritou com os preços dos serviços durante os treinos de sexta e sábado, levou a própria comida na corrida de ontem. Mesmo assim, ninguém saiu infeliz. ''''Viajei milhares de quilômetros, gastei 4 mil dólares, é a primeira vez que vejo uma corrida ao vivio'''', contou o chileno Hernán Jequier, de 49 anos. ''''Quero vir de novo.''''

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