Chibana comemora evolução antes do Mundial de judô

Brasileiro está na liderança do ranking mundial da categoria meio-leve e chega motivado para a disputa do torneio na Rússia

AMANDA ROMANELLI, O ESTADO DE S. PAULO

25 de agosto de 2014 | 16h53

A disputa do primeiro Mundial de Judô da carreira, no ano passado, marcou Charles Chibana. O paulistano de 24 anos lembra que entrou no Mundial de 2013 como um atleta "invisível". Mas após o quinto lugar no Rio, e uma série de bons resultados desde então, o judoca chegou à liderança do ranking mundial da categoria meio-leve (até 66 kg), e entra no Mundial de Chelyabinsk, na Rússia, como um dos favoritos à medalha. Ele faz sua luta de estreia, a partir das 2 horas (de Brasília) desta terça-feira, contra o armênio Davit Ghazaryan, já na segunda rodada.

Ao falar do Mundial de 2013, Chibana lembra de uma série de eventos curiosos, que ajudaram na impulsão de sua carreira no último ano. Em primeiro lugar, diz que quase não conseguiu se credenciar para competir no Rio. "Eu nem estava cotado para competir no Mundial. Mas fui campeão do Grand Slam de Moscou e consegui minha vaga. Diria que foi aos 48 minutos do segundo tempo", brinca.

Uma vez classificado, fez uma ótima campanha, ao chegar na semifinal com quatro vitórias, todas por ippon. Na disputa por um lugar na final, encontrou o japonês Masashi Ebinuma, campeão mundial. Foi uma luta duríssima contra o futuro bicampeão (e que brigará pelo tri, na Rússia), em que o brasileiro levou o golpe fatal a apenas 20 segundos do fim do combate.

Na disputa pelo bronze, Chibana perdeu para outro japonês, Masaaki Fukuoka, que não estará em Chelyabinsk. Logo no começo do combate, o brasileiro teve um ippon a seu favor, mas o árbitro na mesa mudou a marcação - durante a deliberação, a torcida comemorava a medalha. O ippon virou wazari, e Chibana não conseguiu manter a mesma concentração no restante da luta. Fukuoka acabou aplicando o ippon.

A sensação de frustração por ter chegado tão perto do pódio está superada, garante Chibana. "São coisas que a gente não pode ficar lamentando. Fiquei triste para caramba, era um Mundial em casa, mas isso me fortaleceu e eu aprendi. Hoje estou com a cabeça tranquila."

A mudança de status em apenas uma temporada, agora, é notória. "Quando a gente começa a viajar e tem os treinamentos de campo (com outras seleções), a galera dos outros países te olha e nem sabe quem você é. Você precisa correr atrás de alguém para poder treinar, senão acaba sobrando", exemplifica. "No ano passado, eu era praticamente invisível. Agora, nem preciso me preocupar: fico parado e todo mundo vem atrás. É assim que se percebe essa mudança."

Consciente da marcação dos adversários, Chibana afirma ser um atleta estudioso - adora ver vídeos de judô em casa. "Eu estudo bastante. Vira e mexe estou em casa vendo vídeos, e não só dos caras da minha categoria. Eu procuro sempre fazer coisas novas, porque o judô agora é muito estudado."

O judoca diz que tem se aplicado na luta de chão, embora goste mesmo de "derrubar" o adversário. "Eu aprendi a gostar de lutar no chão. Aprendi coisas com o Flávio Canto (especialista no quesito, que ministra treinos para a seleção) que me fizeram pegar gosto. Eu sempre procuro o ippon, mas sei que isso às vezes pode acabar custando a vitória."

FEMININO

A trajetória vencedora de Majlinda Kelmendi, que defende o Kosovo e se tornou campeã mundial no Rio, foi mantida no último ano. Assim, a judoca de 23 anos continua sendo a principal favorita ao lugar mais alto do pódio. Líder do ranking na categoria até 52 kg, ela venceu o Campeonato Europeu, o Grand Slam de Paris e dois Grand Prix (Samsun e Budapeste).

A brasileira Erika Miranda, que perdeu a final do Rio para Majlinda mas conquistou sua primeira medalha em Mundial, é apontada como a principal desafiante da atleta do Kosovo. Vice-líder do ranking mundial, é uma das cabeças de chave da competição e só se encontra com a rival numa possível final.

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