Chicória é a "bomba" da seleção de handebol

O apelido Chicória vem de quando a armadora esquerda da seleção brasileira de handebol jogava no Clube Guadalupe, num subúrbio do Rio. E marcou o início da carreira de Aline da Conceição da Silva ? antes, tentou o vôlei e treinou nas categorias de base da então Lufkin. O apelido foi dado pelo técnico, para diferenciar duas Alines. O cabelo rastafári e a cor da pele determinaram o nome Chicória, personagem da Turma do Lambe-Lambe, do desenhista Daniel Azulay ? sucesso por cerca de 20 anos na TV. Aos 13 anos, ela não sabia que o personagem era uma simpática galinha preta. Descobriu em 2000, quando a mãe lhe mostrou um desenho da Chicória original. ?Não me importo, mas minha mãe não gosta. Quando ligam para casa e perguntam pela Chicória, ela diz que me chamo Aline.? A jogadora não recorda o nome do técnico que a chamou de Chicória. Só o apelido: Sarará. ?O cabelo dele era pior que o meu?, comenta, rindo. Parece que Sarará gostava de apelidar jogadoras com o nome de personagens de desenhos. A outra Aline virou Pateta ? ?tinha 1,93m e era desengonçada?. Aos 24 anos, Chicória é artilheira e batedora oficial de pênaltis ? tiro de 7 metros ? da seleção. Seu arremesso é muito forte, uma ?bomba?. ?Eu não ficaria no gol adversário?, brinca o técnico da seleção, Alexandre Schneider. No Pan-Americano de Handebol, disputado no início do mês, em São Bernardo, a armadora marcou 29 gols em 5 partidas. Foi a artilheira e ajudou o Brasil a conquistar o quarto título da competição, com goleada de 39 a 12 sobre a Argentina. Na seleção, 202 gols, em 54 jogos (estatística pessoal). Chicória foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999, e no Sul-Americano do Uruguai, em 98. Defendeu o Campo Grande Atlético Clube (RJ), Cascavel (RJ), Mirassol (SP), São Bernardo, Guarulhos e Vasco, que lhe deve cinco meses de salários (o caso está na Justiça). Hoje, joga no Mauá. O clube carioca, tradicional no esporte, defende Paulínia no Campeonato Paulista e já está na semifinal. Ambição ? Chicória explica que o objetivo do Brasil vai além de permanecer no topo das Américas. Após o Pan de São Domingos, em agosto, a seleção disputará o Mundial da Croácia, em dezembro. ?Acho difícil perdermos o ouro no Pan. E já penso no Mundial e na Olimpíada.? Para o presidente da Confederação Brasileira de Handebol, Manoel Luiz Oliveira, o Brasil vai ao Pan para trazer duas medalhas de ouro. ?Em Winnipeg, tínhamos times para isso?, diz Oliveira, referindo-se ao título do feminino e à prata do masculino, em jogo emocionante, com duas prorrogações. Chicória quer atuar na Europa em 2004, seguir o caminho das companheiras de seleção Darly Zoqbi, goleira do Múrcia (ESP), da pivô Daniela Piedade, do Hipo, de Viena (AUS), e de Chana Franciela Masson, goleira do Mislata (ESP). Já recebeu convite para ir para a Espanha, mas preferiu adiar a transferência por causa da seleção e por precisar perder peso. ?Quero ficar uns cinco anos na Europa e depois montar um negócio com duas amigas.? Desde abril, faz acompanhamento com uma nutricionista na Faculdade Metodista para chegar aos 80 quilos ? está com 84. ?Evito hambúrguer e coca-cola, que adoro.? Na Europa, tentará livrar-se do apelido. No Brasil, as duas tentativas que fez em 2000 não funcionaram. No Pan de Aracaju, adotou Aline na camisa ? o público achou que Chicória não estava mais na seleção. No Vasco, usava Aline e Chicória no agasalho.

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