China anuncia 82 prisões

Segundo o governo, todos são terroristas que planejavam ataques durante os Jogos

Pequim, O Estadao de S.Paulo

11 de julho de 2008 | 00h00

O governo chinês divulgou ontem um balanço de suas ações antiterrorismo. De acordo com Pequim, nos últimos seis meses foram presos 82 integrantes de grupos terroristas da região de Xinjiang, de maioria muçulmana. Eles estariam planejando ataques durante a Olimpíada. "A polícia da capital regional deteve 66 membros de uma banda das ?três forças diabólicas? que praticam o terrorismo, o separatismo e o extremismo, além de destruir 41 bases de treinamento da ?guerra santa? de janeiro a junho", disse o chefe da polícia regional em Urumqi, Chen Zhunagwei. Não foram divulgados detalhes sobre os outros 16 presos.Segundo o governo, os uigures (etnia que domina a região de Xinjiang) planejavam não só ataques terroristas como ações suicidas, seqüestros de atletas e jornalistas, além de ataques a aviões. Os rebeldes estariam recebendo apoio financeiro da Al Qaeda para liderar uma revolução separatista que resultaria na formação do Turquestão Oriental.Anteontem, a agência de notícias chinesa Xinhua divulgou que cinco pessoas foram mortas na região de Xinjiang por, supostamente, estarem buscando a ?guerra santa?, conta os ?brancos? - integrantes da etnia han, predominante no território chinês.Os grupos que apoiam os uigures negam que os separatistas sejam responsáveis pelos ataques em Xinjiang. "O que a China divulga não é certo", disse o porta-voz do Congresso Mundial Uigur Exilado, Dilxat Raxit. "Querer boicotar os Jogos é o mesmo que querer destruí-los." Ele também negou que os cinco mortos na região fossem terroristas. "Eram militantes dos direitos humanos, que pediam poder exercer sua liberdade política."CONFLITODesde a Revolução Cultural, nos anos 60, o governo de Pequim mantém relações tensas com os habitantes de regiões do país com forte presença religiosa. É o caso, por exemplo, do Tibete, de maioria budista, e dos habitantes de Xinjiang, de maioria muçulmana. Apesar de não haver uma região predominantemente cristã na China, o governo central também limita as ações da Igreja Católica. O país não tem relações com o Vaticano e somente os bispos aprovados pelo Estado por meio da Associação Patriótica Católica têm autorização para atuar entre os fiéis.Os seguidores do Vaticano atuam na clandestinidade, sob o risco de prisão. Desde que foi proclamado papa, Bento XVI tem buscado reaproximação entre a Igreja o governo chinês, mas os avanços são muito lentos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.