China bate eua na luta de gigantes

Sucesso dos ginastas ajudou chineses a acabar com domínio norte-americano

O Estadao de S.Paulo

24 de agosto de 2008 | 00h00

O império desabou. Os Estados Unidos, campeões em Atlanta-1996, Sydney-2000 e Atenas-2004, vêem-se pela primeira vez nos últimos 12 anos derrotados no quadro geral de medalhas. Os chineses iniciam o último dia dos Jogos de Pequim com 15 ouros de vantagem sobre os norte-americanos e não podem mais perder a liderança.Há alguns anos isso seria impensável. Mas hoje, da mesma forma que a economia chinesa cresce, o esporte ganha força. E, da mesma forma que a economia americana se vê às portas de uma recessão, o esporte no país também sofre estagnação.Os Estados Unidos continuam poderosos, mas não são mais soberanos. Principalmente no atletismo, em que deixavam os adversários bem para trás e garantiam o topo do ranking olímpico. Em Pequim, não conseguiram manter o desempenho e viram dois países chegarem bem perto: Rússia e Jamaica. Os americanos somaram até ontem sete ouros contra seis de russos e jamaicanos. "Hoje estamos na frente (nas provas de velocidade, em que os Estados Unidos sempre se destacaram), mas eles são muito fortes e devem recuperar a hegemonia daqui a uns cinco anos", opinou Stephen Francis, treinador de Asafa Powell, o segundo principal velocista jamaicano, atrás de Usain Bolt.A nação do Caribe, por sinal, vem tendo participação decisiva na briga China x EUA. Suas vitórias ocorreram em provas facilmente dominadas pelos americanos até pouco tempo atrás: 100 metros, 200 metros (para homens e mulheres) e revezamento 4 x 100 metros masculino.No caso da China, é a ginástica artística que assegura a tranqüila liderança. Os anfitriões obtiveram nove ouros diante de dois dos rivais. No ano passado, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, dirigentes do Comitê Olímpico dos Estados Unidos (Usoc) já diziam que o fim da hegemonia era possível. Fizeram um levantamento e chegaram à conclusão de que os chineses estavam vencendo a maioria dos campeonatos mundiais.Na chegada a Pequim, ratificaram a opinião. "O time chinês é excepcionalmente forte e quase todos apostam que eles ganharão o maior número de ouros e de medalhas no geral", declarou Jim Scherr, diretor-executivo do Usoc. O Comitê Olímpico Chinês, por outro lado, nunca se manifestou sobre essa disputa particular. A preocupação, diziam os chineses, era apenas com uma boa participação. Os donos da casa somavam, no fim do sábado em Pequim, 49 ouros, 15 a mais que os americanos, mas perdiam no total de medalhas (96 a 107). Para a classificação, no entanto, o que conta é o número de primeiros lugares.

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