Chineses reagem aos protestos

Manifestações pelo mundo foram a favor da tocha e do controle do Tibete

Cláudia Trevisan, Pequim, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2008 | 00h00

file://imagem/93/china.jpg:1.93.12.2008-04-21.26 Milhares de chineses fizeram manifestações no fim de semana, dentro e fora do país, em reação aos ataques sofridos pela tocha olímpica em seu percurso mundial e em defesa dos Jogos de Pequim e do controle do Tibete pela China. Na Europa e nos Estados Unidos, o alvo foi a imprensa ocidental. Na China, a rede de supermercados Carrefour, que catalisou a ira dos jovens contra os atos pró-independência do Tibete realizados em Paris, durante a passagem da tocha pela cidade.Depois de incentivar o boicote as empresas francesas e fomentar o sentimento de xenofobia na população, o governo chinês começou a agir no fim de semana para esfriar os ânimos e tentar evitar que o entusiasmo nacionalista fuja a seu controle. A censura chinesa apagou dos fóruns de discussão freqüentados por jovens a maioria das mensagens que defendiam o boicote ao Carrefour.Até sábado, uma busca com a expressão ''boicote ao Carrefour'' trazia em primeiro lugar os textos críticos à rede francesa. Ontem, a lista era encabeçada por mensagens contrárias à idéia de que todos os ocidentais são inimigos da China.Órgãos de imprensa ligados a Pequim e ao Partido Comunista passaram a defender que o patriotismo seja expressado de maneira ''calma'' e ''racional''. O governo também mobilizou centenas de policiais para defender a integridade das lojas do Carrefour no país.No sábado, milhares de pessoas se reuniram em seis cidades chinesas para protestar em frente a lojas do Carrefour com faixas que traziam dizeres como ''cale a boca, França'' e ''Tibete é parte da China''. Na cidade de Wuhan, capital da província central de Hubei, alguns manifestantes carregavam imagens do líder Mao Tsé-tung (1893-1976).Ontem, as manifestações continuaram em outras cidades, incluindo a antiga capital imperial Xian, e Jinan e Harbin, no nordeste do país.Fora da China, cerca de 1.500 chineses protestaram em frente à sede da CNN em Los Angeles para pedir a demissão do comentarista Jack Cafferty, que em 9 de abril afirmou no programa Situation Room que os chineses são ''imbecis e bandidos'' e os produtos que vendem ao exterior, ''lixo''. Cafferty disse na semana passada que não se referia ao povo, mas sim ao governo da China.A rede britânica BBC foi alvo de protestos chineses realizados em Londres e Manchester. Também ocorreram demonstrações em Paris e Berlim.Preocupado com o impacto das manifestações, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, decidiu mandar dois enviados com mensagens ao governo chinês. O vice-primeiro-ministro, Jean-Pierre Raffarin, desembarca em Pequim na quarta-feira, enquanto o principal conselheiro diplomático de Sarkozy, Jean-David Levitte, chega à cidade no sábado. Entre os elementos por trás dos protestos, está a enorme insatisfação do governo chinês com a decisão de Sarkozy de condicionar sua ida à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos ao início de conversações entre Pequim e o dalai-lama, o exilado líder espiritual do Tibete.

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