Chuva, frio e medalhas douradas

Show brasileiro no Rio: o País conquista três ouros na vela - e ainda teve duas pratas e dois bronzes

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2029 | 00h00

Foi sob chuva e frio que a vela contribuiu consideravelmente para o quadro de medalhas do Brasil no Pan: foram três de ouro, duas de prata e duas de bronze. O número só não foi maior porque um ouro já garantido na raia, o do Hobie Cat 16, acabou perdido por desclassificação do barco brasileiro.Um dos astros do dia foi Ricardo Winicki, o Bimba. Campeão mundial e campeão da Semana de Spa, faltava garantir o bicampeonato pan-americano. "Eu me preparei para isso. O ouro é meu, do Brasil e a temporada foi a melhor possível." O tempo para comemorar vai ser curto: descanso de uma semana e depois viagem para China, onde participará com o restante da equipe brasileira do evento teste para a Olimpíada de Pequim.O outro ouro brasileiro do dia foi da classe J24, que contou com Maurício Santa Cruz, Carlos Jordão, Daniel Santiago e Alexandre Saldanha. O quarteto estava na frente e garantiria o ouro automaticamente se a regata de ontem fosse cancelada, mas não se queixou por ter de garantir a vitória na água, apesar das dificuldades. Alexandre Saldanha, neto do ex-técnico da seleção brasileira de futebol João Saldanha, conta como foi a disputa com os argentinos: "na chegada não dava para saber quem ganhou o ouro ou quem perdeu. Só tivemos certeza quando anunciaram", admite.Alexandre Paradeda e Pedro Amaral também poderiam ter garantido o ouro na classe Snipe mesmo com o cancelamento da regata de ontem. "Mas foi melhor assim. Prefiro ganhar na água", disse Paradeda. Agora, a meta dos velejadores é representar bem o Brasil no Mundial de Snipe, marcado para setembro, em Portugal.Uma das medalhas mais certas do Pan acabou não se concretizando. Robert Scheidt fez sua parte na última regata da classe Laser e venceu, mas não foi o suficiente para tirar o ouro do norte-americano Andrew Campbell. O brasileiro ficou com a prata. "Faltando 100 metros para a chegada, a conta estava perfeita, matemática nota mil. Já estava até com um sorriso no rosto porque tinha 200 m de vantagem para o resto dos competidores. Só que o americano cortou por um rumo diferente, o vento mudou, o argentino e o chileno não marcaram e ele ganhou por dois metros do chileno."Scheidt admitiu que o resultado não foi o esperado. "Sei que todos contavam com o ouro, mas dei meu máximo", disse. "Não posso dizer que fiquei totalmente desapontado com meu desempenho. Na verdade, priorizei o Mundial de Star e, por isso, não treinei como deveria."Campbell não escondeu que o ouro foi surpresa. "Não esperava ganhar." O velejador acredita que foi beneficiado pelo fato de treinar num lugar de condições muito parecidas às da Baía de Guanabara. "Tive de usar mais meu cérebro do que meu corpo."Outra prata veio na RS:X, com Patrícia Castro, que teve um saco de lixo preso na quilha. "Mas não influenciou no resultado", garantiu. "Vou curtir a prata e deixar o ouro para quem merecia (a canadense Dominique Valée)." Já ou trio Cláudio Biekarck, Gunnar Ficker e Marcelo Silva na classe Lightning levou bronze. O ouro foi para o Chile, seguido dos Estados Unidos.Na Laser Radial, Adriana Kostiw festejou muito o bronze. O ouro foi para Paige Railey (EUA) e a prata para Tânia Wolf (MEX). "Minha única chance de medalha era vencer a regata, a canadense ser quarta e a argentina, quinta. Aconteceu", disse Adriana, que comparou o bronze a um ouro triplo. "Quando percebi, pensei: ?Deus existe?."

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