Chuva, mesmo sem botão

Cheguei a Kuala Lampur antes da habitual chuva das 4 da tarde. Aliás, ela também chegou cinco minutos antes do horário na quinta-feira. Na sexta, cumpriu à risca a programação. Portanto, como a largada amanhã acontece às 4 da tarde, Bernie Ecclestone nem vai precisar do seu sonhado botão de chuva. Aqui deve ser o próprio São Pedro quem aciona o botão, sem intermediários. Nos 12 anos de existência deste GP a variação nas condições do tempo sempre teve papel fundamental no desenrolar da corrida, sendo que em 2009 ela foi encerrada logo depois da metade porque a chuva exagerou um pouco. Depois do que se viu duas semanas atrás na abertura do Mundial, o RB-7 é o carro a ser batido. E o campeão Vettel, vencedor na Austrália e também vencedor aqui na Malásia no ano passado, é a grande aposta.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2011 | 00h00

Diante disso, a chuva se torna uma esperança a mais para as equipes rivais. Dependendo de quando ela chegará e o quanto de água vai cair, a estratégia pode valer mais do que nunca. Mesmo assim, existe uma dúvida no ar - o Kers vai funcionar no carro da Red Bull, que não precisou dele para vencer na Austrália ? Na teoria o Kers é extremamente necessário numa pista com as retas largas de Sepang. A equipe usou o dispositivo no treino de sexta, provavelmente com a intenção de correr com ele. Mas também fez isso na Austrália e surpreendeu a todos já no sábado, disputando a prova de classificação sem o Kers.

Eu torço muito para que o fim de semana na Malásia seja bem diferente daquele da Austrália. Não pela vitória fácil de Sebastian Vettel, que eu admiro muito como piloto e como pessoa, mas pelo fracasso das novas regras criadas para nos trazer mais ultrapassagens. Chegou a hora de um teste definitivo em um circuito de fato. Na Austrália a pista é de rua, embora bem diferente de Valência e Mônaco. Neste domingo as diferenças entre os carros começam a ficar mais claras. E eu também quero ver o forte calor malaio provocar mais trocas de pneus, como a própria Pirelli esperava.

Aqui em Sepang o acidente que vitimou Gustavo Sondermann em Interlagos foi tema de conversas entre pilotos. Mark Webber, que bateu forte na mesma Curva do Café em 2003, foi quem mais se interessou em conhecer as circunstâncias do acidente e citou o nome de Rafael Sperafico, também vítima de acidente no mesmo lugar em 2007, demonstrando conhecer bem o histórico daquela curva. Para Webber, ela é sempre tema de discussão entre pilotos e comissários da FIA antes de cada GP do Brasil por ser um trecho de alta velocidade e baixa visibilidade na sequência de um trecho em subida, a chamada Junção. Cacá Bueno já havia me dito isso no programa Linha de Chegada do SporTV. A visibilidade de dentro de um cockpit de F-1, onde o piloto fica mais deitado, é ainda menor que a do Stock Car. Já Fernando Alonso, também envolvido naquele acidente de 2003, simplesmente não vê necessidade de mudança.

O presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, tomou a iniciativa correta, enviando ofício a Charlie Whitting, delegado de segurança da FIA, solicitando a presença dele em São Paulo para discutir eventuais modificações na Curva do Café. Para mim, chegou a hora de a Prefeitura de São Paulo realizar uma obra definitiva e extremamente necessária para preservar um ícone como Interlagos. Já que não existe espaço para se afastar o muro do lado de fora da curva - a FIA estabelece área de escape com 50 metros - o momento exige um projeto mais ambicioso, que é uma área suspensa do lado de dentro da curva. Isso traria uma solução definitiva também para um ponto ainda mais crítico de Interlagos, que é a entrada de box.

Felipe Massa corre domingo com o nome de Gustavo pintado em seu capacete. Ana Helena, mãe de Felipe, que está aqui na Malásia, é bem amiga de Nanci, mãe de Sondermann, e os filhos delas cresceram juntos.

Eu termino esta coluna deixando meu abraço para Sérgio e Nanci, pais de Gustavo, o menino sorridente que vai deixar saudades em todos nós, seus amigos eternos.

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