Chuva não assusta corredores

Cerca 30 mil maratonistas também tiveram o frio como adversário ontem em São Paulo

Bruno Deiro, O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 00h00

A chuva e o frio da manhã de ontem em São Paulo inibiram a presença do público, mas não assustaram os cerca de 30 mil corredores na 16ª edição da maior maratona por equipes da América Latina. Pelo segundo ano consecutivo, a Maratona Pão de Açúcar de Revezamento teve como vencedora o time mineiro do Cruzeiro, com a presença de Franck Caldeira, medalhista de ouro no Pan-Americano do Rio, em 2007. Os oito corredores do Cruzeiro terminaram os 42 quilômetros e 195 metros com a marca de 2h07min40s. "O percurso foi tranqüilo, apesar de um pouco congestionado. Como sou menor, ficou mais fácil de passar pelo meio daquele povo", brinca Francisco Barbosa dos Santos, o Chiquinho, que fechou o revezamento para os mineiros.A corrida, iniciada e encerrada em frente ao Obelisco do Ibirapuera, reuniu maratonistas profissionais, como o bicampeão da São Silvestre Marílson dos Santos, e atletas amadores. Mesmo com o cansaço, a dentista Ângela Arruda, de 59 anos, não escondia a satisfação após a prova. Em sua segunda participação, atingiu seu objetivo: percorrer 10 quilômetros com um tempo próximo a 1 hora.Há dois anos participando de maratonas, Ângela correu ao lado do irmão, Ayrton, seu maior incentivador no esporte. "Depois que passei a correr, indico para todos os amigos e pacientes. Mas na nossa família, por enquanto, só nós dois praticamos", diz a dentista.Bronze nos Jogos de Atenas, em 2004, o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima destacou a popularidade do esporte entre os atletas amadores."Mesmo com as condições desfavoráveis, o pessoal não arredou o pé. Hoje, o atletismo já faz parte da vida de muitas pessoas", afirma Vanderlei, que fez parte da equipe Pão de Açúcar/BM&F Bovespa, segunda colocada na prova, com a tempo de 2h09min30s. A equipe mesclou profissionais e amadores e foi ultrapassada na metade da prova e não conseguiu retomar a vantagem. Para Marílson, companheiro de equipe de Vanderlei na corrida de ontem, as maratonas brasileiras já podem ser comparadas aos eventos internacionais de alto nível. "O público e a organização estão crescendo cada vez mais, se aproximam aos das corridas de rua realizadas nos Estados Unidos, por exemplo. Alguma diferença há, mas está diminuindo", diz o campeão da Maratona de Nova York em 2006.O técnico mecânico Josué Júlio Couto, no entanto, conta que teve seu desempenho prejudicado por uma pequena falha na organização da prova. "Estava no posto 7, à espera da minha vez, e senti vontade de ir ao banheiro, mas não tinha nenhum por perto. Tive de correr ?apertado?", lamenta. Hipertenso, começou a correr há dez anos por iniciativa própria e garante que a prática esportiva diminuiu a necessidade de remédios. "Parei de correr durante um período e tive de tomar uma quantidade maior de medicamentos para manter minha pressão arterial no mesmo nível ", explica ele. Entusiasmado com a melhora, Josué planeja trazer a filha de 9 anos para competir na próxima edição da Maratona, em 2009. "É uma maneira de incentivar para que, no futuro, ela tenha uma boa qualidade de vida, o que eu não tive até começar a correr", diz o corredor, hoje com 45 anos.

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