Werther Satana/Estadão
Werther Satana/Estadão

Ciclismo ajuda empresário a lutar contra o câncer

Empresário, de 44 anos, pedala 150 quilômetros por semana entre as sessões de rádio e quimioterapia

Wilson Baldini Jr, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2019 | 04h30

O ciclismo sempre fez parte da vida de Alexandre Pacheco. Primeiro, aos 11 anos, com passeios entre os bairros do Sumaré e Ibirapuera, sem o conhecimento dos pais. Depois com rotas maiores, de 40 a 50 quilômetros à noite, que, segundo ele, deram origem aos 'Night Bikes', grupo de ciclistas que até hoje passeia por São Paulo.

Com o casamento, o filho e a correria do dia a dia, a bicicleta superequipada ficou aposentada por um tempo, mas em 2015, aos 40 anos, o exercício se tornou uma rotina e os resultados passaram a motivar o empresário a levantar todos os dias para pedalar. Uma das recompensas veio após um réveillon, em São Sebastião, quando pedalou 38 quilômetros.

No dia 3 março passado, Alexandre foi diagnosticado com câncer no pulmão. "Não aguentei manter o ritmo em uma subida e cuspi sangue", relembrou. Um tumor de 11 centímetros causou insegurança, medo, mas não o impediu de continuar seu exercício físico preferido. E o amor pelo esporte foi retribuído na hora do tratamento.

As sessões de radioterapia e quimioterapia foram 'combatidas' três vezes por semana com 150 quilômetros de bicicleta. Todo o esforço está dando resultado e o tumor foi reduzido para apenas um centímetro. "O ciclismo me dá força psicológica muito grande", afirmou Alexandre, de 44 anos.

Todo este trabalho médico e psicológico tem a orientação do doutor Raphael Brandão, oncologista clínico especializado no Dana-Farber Cancer Institute/Harvard Medical School.

Alexandre revela que consegue resultados expressivos diante de companheiros bem mais jovens. "O mental é importante para os ciclistas com mais de 40 anos", afirmou o ciclista. "O garoto explode no começo da travessia e abre muita vantagem, mas nos últimos cinco quilômetros fica quebrado. A consciência corporal do veterano é um diferencial para conseguir os melhores resultados." Tudo em nome da saúde.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.