Vítor Marques/Estadão
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Cidade em construção já é sede  de eventos esportivos no Catar

No meio do deserto, a 15 km da capital Doha, país está construindo Lusail, cidade que será sede de abertura e final da Copa do Mundo

Vítor Marques - Enviado especial ao Catar, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2015 | 18h14

A final do Mundial masculino de handebol será disputada neste domingo entre França e Catar numa cidade que ainda não existe. Lusail, que em 2022 receberá a abertura e a final da Copa do Mundo, fica a 15 quilômetros e é um imenso canteiro de obras no meio do deserto. 

Por enquanto, o que sobressai na paisagem árida é a silhueta imponente do Lusail Hall, o espetacular ginásio multiuso que abrigará a final do handebol e foi erguido ao custo de R$ 800 milhões. Num país rico graças à produção de gás e de petróleo, onde o litro da gasolina é mais barato que uma garrafa de água, às margens do Golfo Pérsico está sendo construída do nada uma cidade do tamanho de Santos.

O preço da ambição: US$ 45 bilhões, cerca de R$ 115 bilhões. Em 38 km2 haverá marinas, lagos, campos de golpe, quatro ilhas e um sem número de edifícios, hotéis e resorts. E, claro, haverá um estádio de futebol: o Iconic, concebido para abertura e final da Copa. Será abastecido por energia solar e terá capacidade para receber 86 mil pessoas.

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O Estado visitou Lusail e percorreu as ruas do interminável canteiro de obras da “cidade do futuro”, como é orgulhosamente chamada pela Qatari Diar, um fundo de investimento que pertence ao governo. A construção começou em 2006, bem antes da confirmação de que o Catar receberia a Copa em 2022 - o país foi designado como sede em dezembro de 2010.

Pelo muito que há por fazer, é difícil imaginar que tudo estará pronto em 2022. Mas o país é tão rico, e está tão disposto a mostrar que pode cumprir tudo o que promete, que convém não duvidar. O que se vê hoje no que virá a ser Lusail são caminhões, andaimes, guindastes e operários, muitos operários, que vêm, em sua maioria, da Índia, de Bangladesh, do Nepal, da Tailândia e até da Coreia da Norte. Recebem um salário entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por mês, dependendo da qualificação. 

Já houve denúncias de trabalho escravo. Em 2013, o jornal inglês The Guardian publicou documentos mostrando que naquele verão morreram 44 trabalhadores nepaleses - a maioria de ataque cardíaco. Um dos motivos seria a longa jornada de trabalho, de até 12 horas, num lugar em que a temperatura pode atingir 50 graus. O governo do Catar nega as acusações e afirma que não toleraria jornadas de trabalho que colocassem em risco a saúde dos trabalhadores. Em todo caso, prometeu investigar as empresas denunciadas.

METRÔ
Lusail passará por uma transformação mais rápida e radical do que a ocorrida n a capital Doha, que há poucas décadas era uma cidade sem arranha-céus e fora da rota do turismo mundial. Mas até mesmo Doha ainda vive em obras. Por todo canto surgem novos hotéis, prédios residenciais e comerciais. Alguns permanecem vazios, outro funcionam com 50% de sua capacidade. 

A principal obra para a Copa na capital do Catar será a construção de um sistema de transporte sobre trilhos - o que hoje não existe. A ideia é inaugurar três linhas de metrô ao mesmo tempo, e uma delas irá até Lusail.

Em Doha vivem cerca de 60% da população do Catar (são cerca de 2 milhões de habitantes no país, mas apenas 400 mil cataris). Em Lusail, são esperadas 200 mil pessoas com residência fixa, além de 170 mil trabalhadores e 80 mil turistas.

*O repórter viajou ao Catar a convite da Federação Internacional de Handebol.

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