Cidade que abrigar seleção terá ajuda

Governo do Estado cria linha especial de crédito, com juros subsidiados, para municípios e empresas interessados em hospedar equipes durante o evento

WAGNER VILARON, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h09

A polêmica quanto ao investimento de recursos públicos na organização da Copa do Mundo ganhou mais um capítulo. O governo do Estado de São Paulo anunciou ontem a criação de uma linha especial de crédito para municípios e empresas interessadas em sediar os Centros de Treinamento que receberão as seleções durante a Copa do Mundo de 2014.

A iniciativa consiste em oferecer, por meio da Agência de Fomento Paulista, juros subsidiados pelo governo (2% ao ano + IPC/Fipe), carência de 24 meses e prazo de 10 anos para pagamento.

No caso das prefeituras, a ideia é de que a linha de crédito seja utilizada no contestado financiamento de construção, ampliação e reforma de arenas esportivas. A iniciativa privada contará com o incentivo para o incremento da infraestrutura, como construção de hotéis, pousadas e centros esportivos privados.

"Além de receberem milhares de turistas em decorrência da Copa, muitas cidades paulistas ainda têm a possibilidade de abrigar seleções, o que vai demandar muito investimento em infraestrutura, tanto do poder público quanto do setor privado", justificou o presidente da Agência de Fomento Paulista, Milton Luiz de Melo Santos.

O anúncio foi feito durante a abertura do seminário "Cidade Base - Oportunidades e Desafios em sediar Centros de Treinamento de Seleções para a Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014", no Palácio dos Bandeirantes. O evento foi promovido pelo Comitê Paulista e teve dois objetivos: informar aos municípios sobre as exigências da Fifa e explicar as medidas oferecidas pelo governo estadual para financiar o investimento.

"Os municípios têm duas alternativas: a lei do incentivo do Esporte, onde as cidades base vão poder solicitar a possibilidade de investimentos para o município ou o financiamento por meio da Nossa Caixa Desenvolvimento, com juros de 2% ao ano. Vale para a iniciativa privada e pelas prefeituras municipais", explicou o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Estrutura. Até agora, 43 cidades paulistas inscreveram-se para receber as delegações. Cinco delas foram excluídas do processo por não apresentarem condições mínimas de infraestrutura aeroportuária. Para receber as seleções que disputarão o Mundial do Brasil, é preciso que estes municípios estejam aptos a receber aviões com capacidade mínima de 120 passageiros e a bagagem correspondente, que é mais complexa do que voos comerciais, pois existe uma série de materiais esportivos necessários aos treinamentos da equipe.

Nas vistorias realizadas constatou-se que o comprimento da pista e a qualidade do asfalto de alguns aeroportos não estão dentro das normas para receber aeronaves deste porte. A condição dos hotéis também pesa na decisão.

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