Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Cidades paparicam seleções de olho nas subsedes

Goiânia, por exemplo, aproveita a visita da Holanda, em junho, para fazer lobby e entrar no circuito do Mundial

RAFAEL MORAES MOURA, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2011 | 00h00

BRASÍLIA - A seleção holandesa receberá todo tipo de paparicos do governo goiano ao desembarcar para o amistoso de 4 de junho contra o Brasil. O governador Marconi Perillo (PSDB) vai recepcionar os jogadores no aeroporto. Dirigentes serão convidados para conhecer destinos turísticos como Caldas Novas, Pirenópolis e Goiás Velho e até uma parte do estádio Serra Dourada está sendo pintada de laranja. Mais do que amor pelo futebol, trata-se de um negócio: Goiânia quer ser a casa dos holandeses na Copa de 2014.

Enquanto as atenções de autoridades brasileiras e da Fifa se concentram no cronograma das obras dos estádios, outro jogo paralelo já começou: a luta para servir como local de treinamento das 32 seleções que estarão no Mundial. No início do mês, o Comitê Organizador da Copa divulgou uma primeira lista de "potenciais candidatos" a servirem como Centro de Treinamento de Seleções (CTS). Até julho, uma vistoria será feita nos 145 locais pré-selecionados, distribuídos por 92 cidades de 19 Estados.

O comitê organizador pretende apresentar uma lista de até 90 CTS "qualificados" aos países classificados para o Mundial. O sorteio final da Copa está marcado para dezembro de 2013, quando se saberá em que cidade cada seleção entra em campo - informação que orientará cada país na escolha do centro.

Goiânia teve sete CTSs aprovados na primeira chamada, que considerou requisitos como distância do centro para hotéis e capacidade de pouso em aeroportos. O empresário José Roberto de Athayde Filho, presidente da Agência Goiana de Esportes e Lazer, pretende se converter em uma espécie de "embaixador para a Copa", com a missão de vender a cidade mundo afora - além dos atuais vice-campeões, Espanha e Itália são alvos de cobiça.

"Não vão faltar mimos, vamos tratar os holandeses como um grande cliente em potencial", diz. A lógica mercadológica funciona assim: quanto mais graúda a seleção, maior o ganho do município que for acomodá-la.

"Dizem que perdemos a Copa do Mundo porque chegamos um pouco atrasados. Agora devemos sair na frente e fazer lobby junto às seleções", diz Carlos Alberto de Assis, diretor-presidente da Fundação Municipal de Esporte de Campo Grande, preterida por Cuiabá na escolha das sedes. Mesmo sem acerto firmado, a prefeitura local decidiu ampliar o Centro de Convivência do Idoso Vovó Ziza, a um custo de R$ 8,5 milhões, informa Assis. "É um tiro no escuro, mas de toda forma, fica o legado pra cidade", diz.

Campos oficiais. Brasília indicou 4 campos oficiais de treinamento para o Comitê Organizador: Bezerrão (Gama), Serejão (Taguatinga), Estádio do Cave (Guará) e Augustinho Lima (Sobradinho). No caso desses campos, que servem às diversas seleções que jogarem em cada cidade-sede (ao contrário dos CTS, exclusivos para um time), a palavra final é da Fifa. O comitê recebeu 66 inscrições e escolherá 36. Cada cidade-sede terá três campos oficiais de treinamento.

Veja também:

linkFifa relaxa limite para reforma do Maracanã

Tudo o que sabemos sobre:
futebolCopa 2014subsedesGoiânia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.