Cielo entra na piscina em busca do seu sonho

Brasileiro inaugura hoje sua participação em Londres e enfrenta o favoritismo do australiano James Magnussen

ALESSANDRO LUCCHETTI , ENVIADO ESPECIAL /LONDRES, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h03

A Austrália tem muito mais expectativas nos 100m livre do que o Brasil. Pertence ao excepcional celeiro de nadadores da Oceania o favoritismo na prova. Cesar Cielo, bronze em Pequim há quatro anos na prova-rainha da natação, situa-se este ano em nono lugar no ranking, com o tempo de 48s26, alcançado em abril, no Troféu Maria Lenk, no Rio.

Já James Magnussen, o novo queridinho da Austrália, nadou este ano em 47s10. Com traje têxtil, ficou a apenas 19 centésimos do recorde mundial registrado por Cesar Cielo (46s91) no Mundial de Roma, em 2009, quando ainda era permitido o uso dos supermaiôs. Com 21 anos, Magnussen, que ganhou o apelido de "Míssil", não faz o tipo politicamente correto. Pertence à subespécie de velocistas que contam vantagem, que têm algo de lutador de boxe. É um artifício para ganhar vantagem já fora da piscina, no campo psicológico.

Magnussen deixou seu país com expectativa de retornar para lá com quatro ouros. Decepcionou logo no primeiro teste, o 4x100m, anteontem. Largou na primeira perna, mas cumpriu sua parte em 48s03, atrás de Nathan Adrian. Os outros três (Matt Target, Eamon Sullivan e James "Foguete" Roberts) tampouco foram bem e deixaram o país fora do pódio, atrás de França, EUA e Rússia.

Começou mal Magnussen. Mas há quem veja uma participação assim como uma boa oportunidade de "quebrar o gelo". Antes de nadar as eliminatórias em 2008, Cielo caiu na água no 4x100m. O Brasil ficou em 16.º.

Por outro lado, o brasileiro pôde liberar parte de sua energia, acumulada na longa espera antes de estrear, e dissipou o nervosismo. Ainda foi mal na semifinal dos 100m, e pegou a raia 8. Mas se recuperou e conseguiu o bronze, o que serviu de grande motivação para, dias depois, conquistar o ouro nos 50m livre.

Desta vez, Cielo preferiu se poupar. Sem ele, o 4x100m do Brasil naufragou na eliminatória - ficou em nono. Cielo decidiu armazenar toda sua energia para enfrentar o desafio dos 100m. O cenário da prova mudou muito em quatro anos. Alain Bernard, campeão em 2008, foi mal na seletiva francesa e só conseguiu vaga de reserva do 4x100m. Nadou pela manhã e poupou seus companheiros.

Cielo há anos tem problema com sua volta nos 100m. A dificuldade é de se conter nos primeiros 50m, sem perder muita velocidade, para retornar com fôlego suficiente para se posicionar no pódio. "Ele nada os 100m para ganhar medalha", apregoa o técnico Alberto Pinto da Silva, o Albertinho.

Desafiantes. O norte-americano Nathan Adrian, o melhor da primeira perna do revezamento (47s89), mostrou que está em excelente forma em Londres. Yannick Agnel, da França, e outro australiano, James Roberts, segundo no ranking, são nomes fortes.

Yannick venceu ontem uma prova disputadíssima e de alto nível técnico nos 200m livre (1min43s14). Ryan Lochte ficou em quarto. O pódio foi completado pelo sul-coreano Taehwan Park e pelo chinês Yang Sun, que fizeram tempos idênticos (1min44s93). Ambos receberam prata.

As eliminatórias dos 100m livre começam às 6 horas (horário do Brasil). Cielo nada na sexta bateria. À tarde, caso se classifique, nada por volta de 15h30. A final será amanhã, às 16h20.

NATAÇÃO

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