Wong Maye-E/AP
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Cielo ganha o 1º ouro entre vaias e aplausos

Nadador vence a prova dos 50 metros borboleta em Xangai. Hoje, começa luta pelo bicampeonato, nos 100 metros livre

, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2011 | 00h00

XANGAI

Muitas coisas podem ser ditas sobre Cesar Cielo, menos que ele não é capaz de suportar pressão. Em meio a aplausos, mas também sob vaias, o nadador conquistou ontem sua primeira medalha de ouro depois de ter confirmada a advertência por doping. A vitória, nos 50 metros borboleta no Mundial de Desportos Aquáticos, ocorreu apenas quatro dias depois de ter sido liberado pela Corte Arbitral do Esporte (CAS). Cielo foi julgado por exame positivo para furosemida no Troféu Maria Lenk, em maio, e já havia sido advertido pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

Cielo completou prova em 23s10. Foi o segundo ouro do Brasil em Xangai (a primeira vitória foi de Ana Marcela Cunha, no 25 km da Maratona Aquática). Hoje, ele começa a luta por seu primeiro bicampeonato, na prova dos 100 metros livre, a partir das 22 horas de Brasília, com transmissão da Recordnews.

"Esta medalha de ouro me gera uma sensação distinta das outras. Tinha de colocar à prova não só o meu talento, mas o quanto podia suportar. Me sinto orgulhoso de ter seguido adiante", afirmou o nadador, que classificou a conquista nos 50 metros borboleta como inesperada e a "mais dura da minha vida" .

Cielo, que disse ter se sentido "abençoado por Deus"", não obteve a mesma unanimidade do Mundial de Roma há dois anos. A torcida chinesa aplaudiu vitória, mas o nadador também enfrentou vaias vindas das arquibancadas reservadas aos atletas, além de manifestação de protesto do queniano Jason Dunford, que se dirigiu a ele após a prova fazendo gesto de polegar para baixo.

Sobre o gesto, Cielo foi evasivo. "Ele (Dunford) deve estar bravo com o resultado da prova dele", disse ao site Terra. O brasileiro afirmou não ter ouvido vaias e que elas "não mudariam nada".

Mas houve quem defendesse o brasileiro. "Se alguém deveria ganhar de mim, que fosse um amigo", disse o vice-campeão da prova, o australiano Matthew Targett, seguido no pódio por seu compatriota Geoff Huegill.

Targett, que foi colega de Cielo na Universidade de Auburn, classificou Dunford, sétimo colocado ontem, de "mau perdedor" e consolou o brasileiro que, como faz em suas grandes vitórias, chorou no pódio. "Convivi com ele e sei o que está passando. Em momentos como este, a gente sabe quem são nossos verdadeiros amigos", explicou o australiano. "Sou um cara emocional. Minha carreira é minha grande paixão e este ouro significa muito para mim", resumiu Cielo.

Até mesmo críticos do nadador nos últimos dias deram, como se diz na gíria, uma trégua. "Se cada um começar a mostrar seu descontentamento, não sairemos dessa", disse o francês Fred Bousquet, que há alguns dias classificou a advertência dada a Cielo pelo doping como uma punição muito branda, mas criticou Dunford. "Pouco importa se a decisão (da CAS) é justa ou injusta, o que Cielo acabou de passar é muito forte", concluiu o nadador rival do brasileiro na prova dos 50 m livre.

Para o técnico de Cielo, Alberto Silva, a melhor terapia durante o tempo de tensão pela audiência da CAS foi blindar o treino. "Acho que isso foi fundamental para a gente manter um ambiente focado no Mundial", disse ao site Globoesporte.com.

Hoje, a partir das 22 horas de Brasília, Cielo disputa as eliminatórias dos 100 metros livre. Vai lutar para repetir a medalha de ouro conquistada com recorde mundial há dois anos. Também estão no programa a prova dos 50 m costas e 200 m borboleta feminino, além dos 200 m medley masculino.

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