Marcos De Paula/Estadão
Marcos De Paula/Estadão

Cielo se testa sob nova direção

Velocista tenta voltar ao topo no Mundial com 'novos' joelhos e sob ordens de outro treinador

ALESSANDRO LUCCHTTI, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2013 | 08h30

SÃO PAULO - Desde 2007, o Brasil não sabe o que é voltar de um Mundial de Esportes Aquáticos sem uma medalha de ouro. Naquele ano, um jovem Cesar Cielo liderou a prova dos 100m livre até 15 metros do fim. Além de perder fôlego, ele ainda errou no cálculo até bater a mão na borda e ficou em quarto lugar, a quatro centésimos de um pódio que o País não conseguia desde 1994. Neste ano, no Mundial de Barcelona, que começará na sexta-feira, é bem possível que nenhum brasileiro suba ao degrau mais alto do pódio.

Bicampeão mundial dos 50m livre - venceu a prova em Roma/2009 e em Xangai/2011 - e campeão mundial dos 100m livre há quatro anos, Cielo agora é apenas mais um competidor que faz parte do bloco de candidatos a uma medalha. Ele abriu mão da participação nos 100m livre e nos revezamentos, pois se submeteu a uma cirurgia nos dois joelhos há dez meses.

Na Olimpíada de Londres, Cielo já dissera que a participação nos 100m livre talvez tivesse lhe drenado a energia necessária para conseguir um resultado melhor nos 50m livre, indiscutivelmente sua principal prova já há alguns anos.

Hoje, o nadador barbarense de 26 anos se diz “sem joelhos e sem confiança” para ampliar o seu leque de provas no Mundial, que terá em sua primeira semana disputas de maratona aquática, saltos ornamentais, polo aquático e nado sincronizado. O calendário de natação se iniciará no dia 28.

“Meus objetivos em Barcelona são buscar os melhores tempos da minha vida”, afirma Cielo, que alimenta fortes expectativas na prova dos 50m borboleta. “Quero baixar meu recorde sul-americano nos 50m borboleta (22s76, registrados em abril do ano passado, no Rio de Janeiro).” A melhor marca desta temporada são os 23s cravados registrados por Frédérick Bousquet em abril.

Cielo aposta até na possibilidade de que o Brasil obtenha duas medalhas nos 50m borboleta. O outro representante do País será Nicholas Santos. O paulista de Ribeirão Preto, de 33 anos, é o segundo colocado no ranking deste ano da prova, com 23s05 - está inclusive à frente de Cielo, que fez apenas o quinto melhor tempo da temporada (23s14).

Nos 50m livre, Cielo diz acreditar também nas chances de ouro. “Se Deus quiser, vamos conseguir esse tricampeonato mundial inédito.”

Desde 1986, quando a prova foi inserida na programação do Mundial, nenhum nadador conseguiu vencer os 50m livre por três vezes.

Hoje, Cielo já não possui o favoritismo que um dia teve. Ele chegou a ter dúvidas a respeito de suas próprias perspectivas no ano - temia não conseguir uma das duas vagas na equipe nacional no Maria Lenk, diante do potencial de Bruno Fratus, quarto colocado na Olimpíada, e Marcelo Chierighini, que está em franca evolução.

De qualquer forma, Cielo não ficou de braços cruzados quando percebeu que seu nível havia caído nos Jogos Olímpicos.

No fim do ano passado, o técnico Alberto Pinto da Silva, o Albertinho, deixou de ter papel preponderante nos treinos. Hoje Cielo treina com Scott Goodrich, cria da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, e pupilo do australiano Brett Hawke. Goodrich é só seis meses mais velho do que ele. Eles dividiram dormitório na faculdade e eram colegas de treinos.

Sem conseguir vaga na equipe olímpica norte-americana para Londres, Goodrich iniciou a carreira de treinador. Neste ano, topou o desafio de se mudar para o Brasil para orientar o amigo. Cielo já declarou que é uma forma de retomar o trabalho de Auburn, que tantos resultados deu nos Jogos de Pequim, sem ter de deixar o Brasil.

“Voltei a trabalhar como nos tempos do Brett: é velocidade o tempo inteiro.”

A retomada das ambições só foi possível graças aos frutos colhidos com a cirurgia. Quando os joelhos foram abertos, constatou-se que seria necessária uma intervenção mais pesada: a reconstrução dos meniscos.

Nos momentos de incerteza, Cielo buscou inspiração em histórias de superação protagonizadas por Ronaldo e, mais recentemente, por Rafael Nadal, que também passaram maus bocados devido a sérios problemas nos joelhos.

Mesmo que a competição em Barcelona não marque a volta de Cielo ao topo, ele acredita que ainda tem mais cinco ou seis anos de carreira. As provas de velocidade permitem longevidade maior. Basta verificar que Barcelona vai reunir medalhistas de quatro Olimpíadas nos 50m livre: Anthony Ervin, ouro em Sydney/2000, estará lá, assim como o sul-africano Roland Schoeman, bronze em Atenas/2004, Cielo (campeão em 2008) e o francês Florent Manaudou, ouro em Londres.

“Estou fazendo o possível para ter resultados. Quando parar, quero olhar para trás e ver que fiz o possível para tirar o melhor, que fiz as escolhas em prol dos melhores resultados possíveis”, disse Cielo, em entrevista recente ao SporTV.

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