Ciente da pressão, Mano diz que segue trabalho de arrumar time

Técnico garante que perder a final olímpica não vai tirar dos trilhos a montagem da equipe para a Copa

PEDRO FONSECA, Reuters

11 de agosto de 2012 | 18h51

Mano Menezes terá de lidar pelos próximos dias com a pressão sobre sua permanência à frente da seleção brasileira após a derrota para o México na final dos Jogos Olímpicos de Londres, mas garantiu que continuará com o trabalho de preparar o time para a Copa do Mundo de 2014, que sempre foi o objetivo final.

Na avaliação do treinador, perder a final olímpica não vai tirar dos trilhos a montagem da equipe para o Mundial em casa, assim como a conquista do inédito ouro olímpico não significaria que o time já estaria pronto para a Copa. "A derrota em um jogo não deve influenciar muito, assim como a vitória em um jogo também não. Se tivéssemos vencido, não teríamos resolvido todos os nossos problemas", disse o treinador após a derrota por 2 x 1 para o México na final olímpica em Wembley, neste sábado.

"Nos faltou algo na nossa base de jogadores até 23 anos porque essa é a realidade da competição, mas penso que a partir de agora, voltando nossas atenções para a Copa, colocando a seleção brasileira principal em campo, podemos continuar nossa evolução rumo a 2014, que é nosso objetivo principal."

"A questão do amadurecimento não vai se desmanchar por uma derrota na final. Você leva junto inclusive em cima do resultado negativo da última partida, porque isso é aprendizado para os jogadores que vão disputar a Copa de 2014", acrescentou.

Em Londres, o Brasil teve o que parecia ser a grande chance de finalmente conquistar a medalha de ouro no futebol, depois que seus dois principais concorrentes antes dos Jogos --Espanha e Uruguai-- ficaram pelo caminho.

Na final, o time do México desfalcado de Giovani dos Santos, um de seus principais jogadores, não estava cotado para bater Neymar, Oscar e outros, mas conseguiu.

A seleção brasileira principal terá já na quarta-feira uma chance de provar que o treinador está certo em dizer que a derrota olímpica não abala os planos quando enfrentar a Suécia em um amistoso, apesar de Mano e os jogadores terem afirmado que preferiam não ter que disputar a partida logo após a Olimpíada. Por outro lado, se o time não conseguir uma vitória, a pressão sobre o treinador vai aumentar ainda mais, uma vez que o Brasil está a menos de um ano de receber a Copa das Confederações e ainda não conseguiu convencer.

Sob o comando de Mano, o time nunca venceu um adversário de ponta com o time principal e foi eliminado nas quartas de final da Copa América do ano passado. A renovação da seleção era o projeto desde que ele assumiu após a Copa do Mundo de 2010, mas a falta de resultados após dois anos de trabalho já levou o treinador a ter de responder várias vezes se temia por seu futuro. "Temos que saber conviver com isso (pressão) e não vamos mudar uma cultura do povo brasileiro", disse o treinador. "Penso que quem ocupa esse cargo precisa estar preparado para isso. No Brasil, inclusive quando se ganha uma Copa, o técnico não é tão elogiado, imagina quando perde uma Olimpíada."

Se para o treinador a cabeça já está no Mundial, para seu principal jogador e maior esperança de liderar o time na Copa do Mundo em casa, Neymar, a competição ainda está muito longe e muitas coisas podem mudar. "Tem muita coisa para acontecer, a gente não sabe se todos os jogadores daqui vão estar na Copa do Mundo, vão estar no ano que vem. A gente queria aproveitar o momento de hoje que era final de campeonato. O próximo amistoso a gente vai entrar em campo e defender a seleção com a nossa força máxima", disse Neymar.

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