Kelly Cestari/ WSL
Gabriel Medina venceu o Circuito Mundial em 2015 Kelly Cestari/ WSL

Circuito Mundial 2017: Brasil vai em busca da onda perfeita

Atletas nacionais querem retomar o título de campeão mundial numa caminhada que começa hoje e termina em dezembro no Havaí após 11 etapas

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2017 | 07h00

A temporada 2017 do Circuito Mundial de Surfe começa nesta segunda-feira, às 18h (7h da manhã desta terça-feira na Austrália), em Gold Coast, quando nove brasileiros iniciam a caminhada na tentativa de trazer de volta o troféu de campeão para o País. Se em 2014 Gabriel Medina brilhou e em 2015 Adriano de Souza, o Mineirinho, conquistou sua taça, no ano passado o havaiano John John Florence tirou o Brasil do alto do pódio.

“Espero que esse ano eu consiga novamente entrar em conexão com o mundo da competição. Não que no ano passado não estivesse, mas a ressaca do título pesou bastante. Agora me sinto mais leve e tranquilo e a meta é ser campeão mundial novamente. Quero chegar em Pipeline, na última etapa, com chances de título. Esse vai ser meu foco no ano. Quero muito voltar a brigar por esse espaço e estou disposto a atingir esse objetivo”, avisa Mineirinho.

Ele é o veterano entre os brasileiros que vão atrás do título, com destaque ainda para Gabriel Medina e Filipe Toledo, dois surfistas talentosos e que devem brigar pelas primeiras posições. Além deles, representarão o Brasil os surfistas Italo Ferreira, Caio Ibelli, Wiggolly Dantas, Miguel Pupo, Jadson André e o estreante na elite Ian Gouveia, filho de Fabinho Gouveia, que foi campeão mundial amador em 1988 e que ajudou a abrir as portas na elite da modalidade para essa nova geração.

Serão 11 etapas no total, que somam pontos para o atleta durante a temporada. Os dois piores resultados são descartados, mas os brasileiros sabem que é muito importante começar bem a perna australiana do Circuito Mundial, ou seja, ter boa pontuação nos três primeiros eventos do ano: Gold Coast, Margaret River e Bells Beach. Para Gabriel Medina, o importante é ter bons resultados logo de cara. “Estou bem animado, concentrado, preparado e pronto para ir bem”, afirma.

Após o período de férias, quando ainda aproveitou para inaugurar o Instituto Gabriel Medina em Maresias, no litoral paulista, o surfista fez um treino físico em sua cidade e viajou para El Salvador para simular condições que poderá encontrar na Austrália. “Nosso plano é consertar os erros, melhorar o que já foi feito e surfar bem. Fiz uma ótima preparação física e agora tivemos um treino técnico nas ondas de direita em El Salvador. A expectativa é sempre de buscar o melhor”, diz.

Como Medina surfa com o pé direito na frente da prancha, quando as ondas vão para a direita ele fica de costas para a onda, o que nesta modalidade costuma ser mais difícil. É assim na primeira etapa do ano na praia de Snapper Rocks. “O back side dele é forte, rápido, está dentro do que estamos esperando. Um surfe vertical, forte e com velocidade, dentro do padrão. Nossa meta é pontuar bem neste começo”, explica Charles Saldanha, pai e técnico do atleta.

Já Mineirinho optou por fazer seu treinamento na meca do surfe e acha que está pronto para buscar o bicampeonato. “Minha preparação foi praticamente toda ela feita no Havaí. Acabou a temporada e eu fiquei lá, só saí para passar o réveillon e o carnaval com a minha esposa. Comecei o ano com o pé direito fazendo final em Pipeline ao ser o segundo no Pipe Pro e quero usar esse ritmo para fazer um ótimo ano de 2017”, avisa.

A disputa tem tudo para ser equilibrada até porque alguns veteranos como Kelly Slater, 11 vezes campeão, e Mick Fanning, três, já avisaram que pretendem brigar até o fim da temporada. No ano passado, por exemplo, ambos optaram por não disputar todas as etapas.

Entre os surfistas da nova geração, destaque ainda para o havaiano John John Florence, que só pensa no bicampeonato. Ele é um dos favoritos ao título e deve ser um rival perigoso dos brasileiros. Além dele, é bom ficar de olho em Kolohe Andino, Jordy Smith, Julian Wilson e Owen Wright, que ficou mais de um ano em recuperação após bater a cabeça numa onda em Pipeline, em 2015.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Silvana Lima: ‘Muitas meninas têm talento, falta suporte'

Única representante brasileira no Circuito Mundial lamenta não disputar torneio com outras compatriotas

Entrevista com

Silvana Lima, surfista brasileira

O Estado de S.Paulo

13 de março de 2017 | 07h00

No feminino, o Brasil tem uma única representante no Circuito Mundial de Surfe, a cearense Silvana Lima, de 32 anos, que lamenta o fato de não poder contar com outras compatriotas nas etapas internacionais. Para ela, não faltam talentos na nova geração, que poderá ser perdida pela falta de patrocínio e eventos.

Quais são suas expectativas para a temporada?

São as melhores possíveis. Estou mais do que preparada para essa temporada, tenho um suporte muito bom, estou com meu técnico Iapa Neuronha e acho que isso vai me ajudar. Vou pensar uma bateria por vez e no fim do ano vamos ver o que vai dar.

Quem são as favoritas ao título nesta temporada?

Acho que quem vai brigar pelo troféu são as mesmas atletas que estão nessa disputa há cinco anos, como a Stephanie Gilmore, a atual campeã Tyler Wright e a Carissa Moore, mas acredito no meu potencial e me vejo na disputa. Tem também a Sally Fitzgibbons e outras surfistas estão ganhando mais experiência. Tem umas dez na briga pelo grande sonho de ser campeã mundial.

Que objetivos você traçou?

Meu objetivo é tentar ver onde cometi erros e mudar. Me preparei bastante e acho que vai ser um grande ano na minha vida. Eu ainda estou na briga, competindo no Circuito Mundial, e graças ao meu talento e às pessoas que acreditam em mim estou aqui. São poucas as meninas que têm esse apoio. Muitas têm talento, mas não têm suporte para competir. Isso é muito complicado.

Mais uma vez você é a única brasileira na elite. O que falta para outras surfistas do País chegarem nesta condição?

O surfe feminino não está em um momento tão forte quanto o masculino. É bater na mesma tecla, a resposta é sempre complicada. Tinham de perguntar para os empresários de marcas e saber os motivos que preferem apoiar mais os meninos do que as meninas. Os campeonatos são os mesmos, as dificuldades de viagens também. Eu já passo por isso há muito tempo. Acho que falta olharem mais para as meninas e perceberem que elas também têm potencial. Ainda vamos passar por muitas dificuldades, até porque falta competição feminina no Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.