Clássico banalizado

Brasil x Argentina é dos duelos mais importantes do planeta, pela rivalidade, pelas conquistas e pela qualidade das duas seleções, que somam sete títulos mundiais. Até prova em contrário, os dois países são as maiores fontes de craques da história do futebol. Garrincha, Pelé, Zico, de um lado. Di Stefano, Maradona, Messi, de outro. Preciso citar mais?

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2011 | 00h00

O jogo que farão hoje à noite, em Córdoba, flerta com o sacrilégio, pois não passa de compromisso comercial das respectivas federações. Não faz sentido ter um clássico desses - com revanche dentro de alguns dias em Belém - sem as formações titulares. Como não puderam contar com os "estrangeiros", os treinadores foram obrigados a se virar com os atletas que atuam em casa.

Os que foram chamados não são cabeças de bagre - o Brasil terá Ronaldinho e Neymar, por exemplo. Só que é exagero vender o confronto como mais um capítulo do interminável tira-teima entre as duas escolas. Não caia na conversa de que os técnicos aproveitarão a oportunidade para fazer observações importantes. Papo furado. Se ainda se falasse em "equipes olímpicas", dava para engolir, em parte. Banalizar Argentina x Brasil é pecado mortal, sem perdão.

Novelas sem fim. Você lembra de Redenção? Não o estou a chamar de velhinho! Só quero refrescar a memória da turma experiente e estimular a curiosidade dos mais jovens. Adianto que foi dramalhão de retumbante sucesso, que recheou a tela da TV Excelsior por dois anos, quase cinco décadas atrás. No final de 600 e tantos capítulos, se arrastava e os personagens estavam esgotados.

No futebol brasileiro, há três novelas que emperraram e não saem do lugar: a transferência de Neymar, a recuperação plena de Luís Fabiano e a estreia de Adriano. O jovem atacante do Santos continua a acirrar a rivalidade entre Barcelona e Real Madrid. O experiente centroavante do São Paulo está sempre no "agora falta pouco". O polêmico artilheiro que o Corinthians repatriou no primeiro semestre, há um tempão se encontra "na fase final de condicionamento".

No caso do Neymar, fico com a última forma, publicada no Estado e não desmentida na Espanha: está acertado com o Barcelona e vai embora em 2013. Significa que pode jogar sua bola à vontade no restante desta e da próxima temporadas? Não. Porque o mundo dos negócios do futebol é tão enrolado, mexe com tantos interesses, que não me surpreenderá se adiante houver reviravolta. Não tem essa de confiar em acordo de cavalheiros. Só se fia no preto no branco, na base do "uma em cima da outra". Ou seja, há risco de embromação.

Luís Fabiano é caso típico de fase azarada. Teve momento excelente, antes da Copa da África, e foi titular da seleção. Depois de muito insistir, largou a Espanha e voltou ao Brasil, com direito a festança de apresentação. De cara teve de submeter-se a cirurgia. Tratamento meticuloso, lento, demorado mesmo.

Quando tudo parecia bem, veio a nova operação, mais leve, porém igualmente chata. Essas coisas acontecem, fazer o quê? O que aborrece é ler, a cada semana, que agora o retorno está próximo.

O mesmo ocorre com Adriano. A maré dele anda em baixa desde a conquista do Brasileiro de 2009 com o Flamengo. O retorno à Itália foi péssimo e o Corinthians apareceu como âncora para tirá-lo do desvio. Só que, por peças que a vida prega, se machucou e foi operado. Falou-se em retorno em agosto e agora ficou para outubro, desde que até lá perca 4 ou 5 quilos. Tudo isso?! E os treinamentos que faz? Só falta alegar hipotireoidismo.

Se falaram que precisa emagrecer esses quilinhos, na certa está bem acima do peso. Sabe por quê? Porque não tem jogador "gato" só na idade, mas em peso e altura também. Pode conferir: se um baixinho diz que mede 1,70 m, na fita métrica não passa de 1,65 m. Se um fofo jura que o peso ideal é 80 kg, uma balança bem calibrada indicará 100. Cada novela...

Papéis invertidos. O Milan esteve a ponto de cair no conto do vigário: ao ficar em vantagem aos 24 segundos, com gol de Pato, acreditou na possibilidade de sair do Camp Nou com vitória. Pra quê? Despertou a ira do Barcelona, que mandou no jogo todo, bombardeou Abbiati, virou e se preparava para festejar o resultado (2 a 1). Até Thiago Silva empatar aos 47 do segundo tempo. Magia do futebol, e o conto do vigário foi para os espanhóis.

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