Clássico com ares dramáticos

Como o Palmeiras, o Santos passa por fase conturbada e o técnico Mancini corre risco

Daniel Akstein Batista e Sanches Filho, O Estadao de S.Paulo

28 de junho de 2009 | 00h00

Palmeiras e Santos fizeram duelos brilhantes na década de 60. Disputaram títulos, lotaram estádios, deram espetáculo. Às 18h30 de hoje, no Palestra Itália, os times vão a campo com outro propósito, deixando saudades a quem acompanhou partidas de outrora. Precisam vencer para se autoafirmar na temporada, após dias conturbados.Depois da desclassificação na Libertadores, só resta o Brasileiro ao Palmeiras. Vanderlei Luxemburgo disse no início do ano que este seria o torneio para o time vencer. Declarações que já viraram passado com a sua saída. A equipe, agora, vai ter de aprender a jogar sem ele e sem o atacante Keirrison, o carrasco santista (dez gols em cinco jogos, contando sua passagem pelo Coritiba), de malas prontas para Barcelona."Primeiro, temos de ter tranquilidade e pedir para que o torcedor nos dê o maior apoio possível", pediu o técnico interino Jorginho. "Vou procurar fazer o que ele (Luxemburgo) já vinha fazendo. O lado ruim (da saída do treinador) pode sim refletir em campo", admitiu Jorginho, temendo por uma queda de produção do time. "Eu não vivo o dia a dia dos atletas e não sei o que eles pensam." O Santos também não vive boa situação e precisa ganhar para dar sobrevida a Vágner Mancini. O treinador tem apoio do presidente Marcelo Teixeira, que ontem até participou de uma "pelada" com os membros da comissão técnica, mas uma derrota hoje vai complicar sua vida. Ele trabalha sob a sombra de Muricy Ramalho, nome bastante cogitado para substituí-lo, e, agora, pode ver Luxemburgo assumir o seu lugar - integrantes da ex-comissão técnica alviverde sonham em voltar para a Baixada Santista.Além de procurar a fórmula para baixar o elevado número de gols que a equipe vem sofrendo (oito nos últimos três jogos), Mancini tenta descobrir o "espião" que, segundo ele, estaria minando o seu trabalho. Sua irritação maior foi com o vazamento dos detalhes de uma nova explosão do temperamental Fábio Costa durante o aquecimento dos atletas nos vestiários da Vila Belmiro antes do jogo com o Atlético-MG, domingo passado. Com a perna direita imobilizada e andando com o apoio de muletas, o goleiro reapareceu ontem no CT Rei Pelé, após ficar sumido por vários dias. O encontro desta noite terá um duelo à parte. Dois meses depois de brigarem no segundo jogo das semifinais do Paulista, quando o Santos saiu vitorioso, Domingos e Diego Souza voltam a se encontrar. Os dois se estranharam no jogo (o palmeirense deu uma rasteira no adversário) e hoje estarão frente a frente. Diego já avisou: não quer saber de conversa e não vai cumprimentar o santista. O clássico já ganhou ares dramáticos mesmo antes de começar.

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