Clássico do futuro

O placar de seis gols no ótimo clássico entre Palmeiras e São Paulo deixa conclusões importantes para o desenvolvimento das duas equipes ao longo da temporada, serve de orientação para aprofundar virtudes e corrigir defeitos.

PAULO CALÇADE, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2012 | 03h03

Novamente, a exemplo do jogo contra o Corinthians, o meio de campo são-paulino ficou vazio de ideias e vulnerável na marcação. Jadson ainda precisa de entrosamento para assumir o controle de um setor que há muito tempo pede alguém que lhe diga como jogar.

Fernandinho deu um jeito no time na segunda etapa porque o deixou mais agressivo, empurrando seu marcador para o fundo do campo e favorecendo o lateral Cortez, sempre melhor no apoio que na marcação. E por falar nela, certamente Leão vai reprisar os gols palmeirenses muitas vezes. Afinal, a defesa já levou 14 em dez partidas.

No lado verde do confronto, Hernán Barcos soube se aproveitar da fragilidade alheia. O centroavante marcou dois gols, mostrando como deve ser aproveitado. Bem colocado e com força física, o argentino pode ser muito útil para qualquer tipo de bola, sejam as paradas ou as de contra-ataque. Parece perfeito para o estilo de jogo pretendido por Felipão.

O Palmeiras tem reclamado muito das arbitragens, mas não pode colocar o pênalti de Cicinho em Cortez na sua lista de problemas. O lateral fez falta ao colocar a mão no peito do adversário, impedindo-o de jogar. É falta, e na área você sabe, a bola vai para a marca dos 11 metros.

O clássico serviu para mostrar um pouco do que será o futuro das duas equipes. Leão terá muito trabalho pela frente para ajustar todos os setores, enquanto Scolari espera por Wesley, para atuar na marcação e acelerar a equipe na rota para o ataque.

O lado curioso do confronto ficou por conta de personagens importantes do futebol batendo boca por culpa do calendário, esse monstrinho alimentado pela CBF, filhote dos absurdos cometidos pela Conmebol.

Inacreditável é que a Fifa, tão esperta e determinada a se intrometer na soberania do País, permanece calada em vez de agir, de zelar pela estrutura primária do esporte profissional: as datas. Leão x Andrés Sanchez foi um combate patético.

"Estou vivo". Essa foi a mensagem de Adriano para o torcedor corintiano na partida contra o Botafogo de Ribeirão Preto. Com a equipe dominada pela passividade, ele foi o destaque, foi o único a chamar a atenção pelo comportamento. Desta vez, não esperou a bola no pé, foi atrás dela.

Jogou 90 minutos, marcou um gol e até fez questão de prender a bola para ele mesmo se convencer da solidez do seu retorno ao futebol depois de ser confinado no centro de treinamento. A retenção da bola serviu para atrair a marcação de um, dois e até três adversários, funcionou como um teste. O gol marcado ajudou Adriano a provar para si mesmo que ainda pode ser um jogador de alto nível. Agora depende exclusivamente dele.

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