Clássico explosivo

Estou aqui, quatro vezes por semana, para dar a cara para bater. Por isso, sem rodeios nem rococós, vou direito ao ponto: o clássico que São Paulo e Corinthians farão logo mais no Morumbi será explosivo, certamente o mais incendiário até agora do Brasileiro de 2011. Sem direito a meio-termo ou panos quentes. Mesmo um prosaico empate trará frustração de lado a lado. É partida para embalar o vencedor e desnortear o perdedor.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h02

Motivos não faltam para prever jogo quente, de tirar o fôlego. Começa pela inimizade crescente entre os dois clubes. Como nas últimas décadas têm dividido títulos e preferência popular com regularidade, consolidou-se a tendência de competição acirrada entre ambos. Divergências que aumentaram recentemente com provocações de cartolagem e com o fato de o São Paulo ter levado um pontapé nos fundilhos na pretensão de ser a sede paulista na Copa de 2014. Sonho desbancado pelo Corinthians, com ajuda da turma que organiza o Mundial. Mas esse é capítulo que tem a ver com politicagem, não com façanhas esportivas. Os homi que se virem, embora isso infecte as torcidas.

Com a bola a rolar, que de fato interessa, há razões de sobra para esperar um confronto movimentado, com doses estonteantes de adrenalina. Não custa lembrar dos 5 a 0 corintianos, fora o baile, obtidos no primeiro turno no Pacaembu. Foi surra dolorida demais para o hexacampeão brasileiro. Com direito a olé, bola na trave, frango de Rogério Ceni, expulsão e show de Liedson, autor de três gols. Desastre completo, que rende gozações até agora. Humilhação atravessada na garganta tricolor.

O momento é outro. O São Paulo retomou o caminho do título, apesar de apresentações oscilantes, e justamente no final de semana saltou à frente do concorrente que liderava até a rodada anterior. Um pontinho só (44 a 43), porém importante, significativo, no aspecto esportivo e psicológico. Uma vitória nesta noite e a diferença pula para 4. Os 4 a 0 sobre o Ceará vieram a calhar. O Corinthians objetivo, eficiente daquele 26 de junho virou fumaça. Hoje, é uma equipe vacilante, insegura, que perdeu cinco dos últimos sete jogos disputados e se sente pressionada por torcida irada.

O São Paulo desta fase da Série A tem mais jogadores que desequilibram, embora esteja longe de ser um conjunto excepcional. (Ok, vou chover no molhado, mas não há um supertime sequer por aqui, para desespero dos que têm fixação pelo Barcelona.) Lucas e Dagoberto são seus pontos de referência no ataque, e o entendimento afina à medida que a competição avança. Casemiro, Cícero, Carlinhos Paraíba têm dado estabilidade ao meio-campo. E, à sombra, permanece Rivaldo, um fenômeno, craque inoxidável que vira e mexe entra para dar o ar da graça. Um astro discreto.

O Corinthians tinha na uniformidade um dos segredos para o sucesso inicial. Defesa, meio-campo, ataque se completavam - uma trupe homogênea, sem primas donas, mas com atores bem ensaiados. A harmonia desandou, em todos os setores. O sistema defensivo tem sua fragilidade exposta, o meio-campo resiste enquanto dura o fôlego de Ralf e Paulinho; Alex não é o regente (Danilo até vinha melhor), assim como Jorge Henrique (ou Willian), Emerson e Liedson não têm atemorizado defesas. O Corinthians virou time comum.

O panorama então insinua o São Paulo a devolver a sova? Não creio. Aqueles 5 a 0 foram extraordinários e raros, não se repetem a todo instante. Mas na teoria a turma de Adilson Batista entra em campo menos tensa e isso pode ajudá-la. Só não deve desprezar um dado: a vitória é imprescindível para o Corinthians recobrar a autoconfiança. A moçada de Tite vai comer grama; é o mínimo que se espera. Estou ansioso desde já.

Xi, lá vem a seleção... Mano Menezes divulga amanhã listas para jogos contra Argentina, Costa Rica e México. Aporrinhação na certa para os times brasileiros. Nem tanto o jogo com os hermanos, no dia 28, pois é semana de folga no Brasileiro. Mas, no período das partidas de 8 e 11 de outubro, estão previstas duas rodadas quentes, com Fla x Flu, Santos x Palmeiras, Corinthians x Botafogo, São Paulo x Inter, para ficar em alguns exemplos. Equipes que lutam pela taça ou por vaga na Libertadores correm o risco de ficar desfalcadas por causa da seleção. Depois, dizem que é birra do torcedor e da crítica?!

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