Clássico para resgatar a autoestima

São Paulo e Palmeiras, sem as estrelas Lucas e Valdivia e ainda em baixa com as suas torcidas, se enfrentam hoje no Morumbi em busca da reabilitação

Bruno Deiro e Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

São Paulo e Palmeiras nunca estiveram em situações tão idênticas quanto no clássico de hoje. E a torcida de um time nem pode provocar a do outro. Por enquanto, as brincadeiras ficam de lado, dando espaço às incertezas. A partir das 16 horas, no Morumbi, as equipes iniciam uma sequência parecida, que pode terminar com o astral lá no alto ou numa crise aguda.

Vencer, para qualquer um dos dois, significa ganhar moral para o desafio no meio da semana pela Copa Sul-Americana. Na quarta-feira, o São Paulo precisa derrotar o Ceará para avançar (perdeu o jogo de ida por 2 a 1) e, no dia seguinte, o Palmeiras recebe o Vasco também precisando do triunfo (foi derrotado no Rio por 2 a 0). No próximo domingo, os dois times terão novos clássicos na rodada final do 1.º turno do Brasileiro: Palmeiras x Corinthians, em Presidente Prudente, e Santos x São Paulo, na Vila.

     

"É uma sequência que não é fácil. Temos de estar preparados e, se Deus quiser, vamos conseguir três vitórias", aposta o palmeirense Maikon Leite.

O Palmeiras não vence há cinco jogos; e o São Paulo há três partidas. Os dois estão desfalcados. Situação diferente, apenas a dos treinadores. Luiz Felipe Scolari e Adilson Batista não andam bem das pernas, é verdade, mas apenas o palmeirense está com moral com a torcida.

Felipão fracassou em todas as competições desde que voltou ao Palmeiras, no ano passado, e nas últimas semanas tem entrado em rota de colisão com o vice Roberto Frizzo. Mesmo assim continua com prestígio.

Felipão pode não ser unanimidade com os diretores, mas continua firme no cargo. Para o clássico, não poderá contar com Valdivia, Thiago Heleno e Gerley, suspensos, e Dinei, machucado.

"Quando já se tem uma equipe com número mínimo (de jogadores), fica-se em desvantagem. Mas a superação pode levantar o moral da equipe", contou Felipão. "Este é um jogo diferente."

Apesar de estar só há oito jogos no comando do São Paulo, Adilson Batista já sente a pressão. Das quatro partidas que fez no Morumbi, ele foi vaiado em três delas. E pode ficar ameaçado no cargo caso tenha resultados negativos nesta sequência que se inicia hoje.

Adilson está preparado para a batalha contra o Palmeiras e não se ilude com a má fase do adversário. "Será um jogo duro, independentemente da falta de vitórias (do Palmeiras) eu sei da cobrança e do jeito dele (Felipão) trabalhar", disse o treinador, que não contará com Lucas (suspenso), Denilson e Luiz Eduardo (machucados).

"Em clássico se esquecem problemas internos, políticos e financeiros", alertou Adilson, que não esconde a admiração pelo hoje rival treinador. "Tenho o Felipão como um pai, aprendi muito com ele."

Estrelas. A ausência de Lucas e Valdivia, suspensos pelo terceiro amarelo, tira brilho de um clássico escasso de estrelas. "São dois grandes jogadores. Sem eles no clássico, quem perde mesmo é o torcedor", admitiu o Adilson Batista.

Em fases distintas, Rivaldo e Kleber carregam a esperança de suas respectivas torcidas. Herói do último jogo do Tricolor no Morumbi, ao marcar o gol de empate com o Atlético-PR (2 a 2) no minuto final, Rivaldo vive lua de mel com os são-paulinos. Já Kleber não marca há nove partidas.

Neste clássico que tudo parece igual, os dois experientes jogadores podem fazer a diferença.

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