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Luís Fabiano desencanta e faz dois (um com a ajuda do braço) na vitória por 3 a 1 sobre a Costa do Marfim, que garante o Brasil nas oitavas de final

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

JOHANNESBURGO

O clima esquentou, ontem, na Copa. Em partida na qual o juiz francês Stephane Lannoy abusou da omissão ao não conter a violência dos jogadores da Costa do Marfim e houve gol irregular de Luís Fabiano ? o craque do jogo ?, ao dominar a bola com o braço antes de concluir para a rede, a seleção brasileira venceu de novo e obteve a classificação antecipada às oitavas de final no Grupo G. É a segunda equipe a avançar na África. O primeiro foi a Holanda, que também ganhou nas duas rodadas.

Nos 3 a 1 no Soccer City, em Johannesburgo, apenas um fato a se lamentar pelo Brasil: a expulsão de Kaká, que caiu na provocação dos africanos e não poderá enfrentar Portugal no fechamento da primeira fase.

Os milhares de flashes que explodiram das máquinas fotográficas da maioria brasileira entre os mais de 80 mil espectadores no estádio no pontapé inicial davam a impressão de que o Brasil poderia apresentar futebol melhor do que o da estreia, contra a Coreia do Norte. O chute de Robinho, aos 40 segundos, aumentou essa sensação. Mas a expectativa durou pouco. Com Luís Fabiano isolado na frente, Kaká sem mobilidade, Robinho marcado e Elano errando passes, o Brasil não conseguia passar pela marcação de uma Costa do Marfim determinada.

O capitão Lúcio, irritado com a falta de criatividade dos colegas, buscou atabalhoadamente o ataque e atuou até como ponta em algumas ocasiões. É o tipo de jogo em que o time de Dunga tem dificuldade. Prefere o contra-ataque. A torcida sentiu o mau momento e tentou animar os jogadores, conseguindo abafar o som das vuvuzelas. O apoio dos laterais, sempre opção para iniciar as jogadas de ataque, não ocorreu, já que Maicon e Michel Bastos se atrapalharam até ao dominar a bola. Mas, na primeira boa jogada, saiu o gol. Robinho tocou para Luís Fabiano, que tabelou com Kaká. Recebeu na frente e encheu o pé, aos 25 minutos.

Com a vantagem, o jogo ficou bom para o Brasil, que teve duas chances em contra-ataques, mas Kaká e Elano não souberam aproveitar. A defesa voltou a mostrar falhas. Lúcio parecia nervoso no duelo com Drogba, enquanto Felipe Melo, importante na marcação, errava passes demais.

O gol brigado e, ao mesmo tempo brilhante, com Luís Fabiano dando chapéu no marcador e usando o braço direito para dominar a bola antes de concluir, aos 5 do segundo tempo, desanimou a Costa do Marfim. A situação africana piorou quando Elano fez o terceiro, após jogada de Kaká pela esquerda, aos 17.

Com os 3 a 0, a vitória brasileira estava sacramentada. Os africanos foram para o ataque, abrindo espaços para o toque de bola brasileiro. Gritos de "olé" nas arquibancadas deixaram os marfinenses irritados. Passaram a distribuir pontapés violentos. Elano, que saiu de maca e precisou ser carregado até o vestiário, e Michel Bastos foram as maiores vítimas. Até o sereno Kaká se perdeu com as faltas recebidas, envolveu-se em tumulto e acabou, infantilmente, expulso pelo péssimo árbitro francês, que só deu cartão amarelo ao desleal Tiote aos 41 do segundo tempo.

Antes, aos 34, Drogba diminuiu o placar, de cabeça. O fim do jogo foi tenso, com a Costa do Marfim tentando o segundo gol. O Brasil se segurou e garantiu a vaga. Agora, joga por empate contra Portugal, na sexta, para terminar em primeiro no Grupo G.

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