Clima esquenta no voo com torcedores de vitória e Bahia

Notícia do rebaixamento rubro-negro agita viagem entre Recife e Salvador com a provocação tricolor

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2010 | 00h00

O clima era tenso no lotado voo 6727 da Webjet, que faz a rota entre Recife e Belo Horizonte, com escalas em Salvador e Brasília, no fim da tarde de domingo. Os cerca de cem passageiros que desembarcariam na capital baiana, muitos deles vestidos com as camisas de Vitória e Bahia, não conseguiam disfarçar a ansiedade por notícias sobre a rodada final do Campeonato Brasileiro, que determinaria o último rebaixado para a Série B.

Ainda antes de entrar no avião, muitos deles cercavam um passageiro que assistia aos jogos em um celular com sinal de TV digital, na sala de embarque. Perto dos 30 minutos do segundo tempo das partidas, porém, o aparelho teve de ser desligado, para a decolagem. O placar do jogo entre Vitória e Atlético-GO não havia saído do zero - resultado que rebaixava o time baiano. Não se falava em outra coisa dentro do avião.

Meia hora depois de o voo ter início, na metade do caminho entre Recife e Salvador, a voz do piloto invade a cabine. Enquanto ele passa informações sobre a viagem - altitude, previsão de chegada, clima nos destinos, etc - a conversa entre os passageiros continua animada. "Gostaria de parabenizar os torcedores do Fluminense pelo título do Campeonato Brasileiro", diz o comandante, impondo silêncio absoluto a bordo.

Foram três longos segundos para o complemento. "Queria informar, também, que o Vitória..." Nem deu tempo para ouvir o fim da frase, porque um torcedor do Bahia, devidamente unifomizado, gritou: "Caiu!", e soltou uma sonora gargalhada a bordo, dando início a uma comemoração tricolor.

Os torcedores do Vitória, claro, não gostaram. Em segundos, estava estabelecida a confusão, com direito a troca de provocações e ofensas a bordo. Uma comissária, preocupada, tomou o microfone da cabine. "Pedimos, por favor, para que não haja brigas." O tom das ofensas diminuiu, mas a provocação continuou até a chegada.

Era apenas o início da "tortura" que os passageiros torcedores do Vitória sofreriam. Na saída do aeroporto, a principal rota, para quem segue a Salvador, é a Avenida Paralela - a mesma usada por quem sai do Barradão, o estádio do Vitória. Ali, torcedores do Bahia passaram fazendo festa, com direito a fogos de artifício, buzinaços e bandeiras nos carros, para desespero dos rivais recém-rebaixados.

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