Clodoaldo agora sonha com Olimpíada

O fundista Clodoaldo Gomes da Silva, de 28 anos, comemorou o quinto lugar, o único de um brasileiro no pódio da 80.ª Corrida Internacional de São Silvestre, como se fosse vitória. E espera que a colocação o ajude a encontrar o apoio que precisa para realizar o seu sonho de um dia correr a maratona num Pan-Americano ou numa Olimpíada. Clodoaldo, de 28 anos, 58 quilos e 1,68 m, é o único atleta do Brasil que ganhou uma medalha de ouro em um Mundial Juvenil, nos 20 km (em Lisboa/1994).Clodoaldo explicou o motivo de tanto contentamento com o quinto lugar (45min41) na prova que fechou o calendário do atletismo em 2004. Na temporada ficou sem patrocínio e enfrentou uma contusão no Tendão de Aquiles (pé esquerdo). Voltou a treinar apenas em agosto, mas conseguiu ir ao pódio com Robert Cheruiyot, o campeão (44min43), Stephen Biwott e Benson Barus, terceiro e quarto colocados, respectivamente, do Quênia, além do etíope naturalizado australiano, Sisay Bazabeh, o segundo.Clodoaldo fez uma prova de recuperação, após uma largada ruim, e passou dois estrangeiros bem no fim - "faltava menos de 600 metros, uns 200 metros para terminar a Brigadeiro", disse, comemorando o fato de ser o único brasileiro a ocupar o pódio. "Eu tinha sido 56.º, 37.º, 16.º e, em 2003, o 10.º colocado. Agora fui quinto. Quem sabe vença a prova em 2005."O fundista, que vive na cidade satélite de Ceilândia, Distrito Federal, é treinado por Adauto Domingues, que também já foi um atleta. Só havia corrido três provas em 2004 e seu melhor resultado era o terceiro lugar da Volta da Pampulha, em outubro. Gostaria que sua cidade tivesse uma pista de atletismo onde ele e outros atletas pudessem treinar. "O Marílson (Gomes dos Santos), eu e outros atletas temos de sair de Ceilândia por falta de estrutura. Tem um empresário disposto a doar o equipamento, tem uma área, mas tudo esbarra na burocracia do governo e nós não temos uma pista."Clodoaldo, que começou a praticar atletismo na escola estadual, estimulado por um professor chamado Jubé, em Ceilândia, procura um patrocínio para mudar para a maratona e tentar seu sonho olímpico. "Fiz uma parceira e pude correr a São Silvestre, mas precisaria de patrocínio fixo", disse, sobre os nomes dos patrocinadores que tinha na camisa. ABANDONO - Clodoaldo, que não era considerado favorito ao pódio, ficou feliz pela corrida de recuperação que fez, ultrapassando, inclusive, Rômulo Wagner da Silva. Embora estivesse bem preparado, Rômulo abandonou a prova no km 9, com dores no baço, segundo o técnico Alexandre Minardi. "Quando foi ultrapassado pelo Clodoaldo ficou com o moral baixo", disse Minardi.

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