Clube quer economizar US$ 50 mi por ano

Essa é a meta que dirigentes consideram necessária para não fechar temporadas no vermelho

O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2007 | 00h00

O Corinthians espera anunciar até o próximo fim de semana, quanto já gastou em 2007, no fim da era do ex-presidente Alberto Dualib, e qual o verdadeiro rombo financeiro em seus cofres. Após cinco dias de reuniões, avaliações de contratos, principalmente dos serviços terceirizados, chegou-se à conclusão de que é necessário, urgentemente, uma redução drástica nos gastos. E a primeira meta para 2008 já está definida: diminuir em R$ 35 milhões os gastos com o futebol, no ano, e em R$ 15 milhões, no clube."Estamos analisando contrato por contrato e observamos que há gastos absurdos. Vamos fechar as torneiras", informou o vice jurídico, o advogado Sérgio Alvarenga, que adiou para a próxima semana a definição de qual escritório será contratado para acertar o rompimento com a parceira MSI - o contrato é até dezembro de 2014 - sem a necessidade do pagamento da multa de R$ 50 milhões. "Infelizmente o feriado (sexta-feira)atrapalhou nossas reuniões. Vamos nos encontrar nesse início da semana (até quarta-feira)", afirmou. Nada, porém, será feito sem o seu aval.Como ainda não tem os números base deste ano, o Corinthians está usando como parâmetro, os gastos de 2006 comparados com os de 2003. Levando em consideração, também, a inflação do período. Após firmar com a MSI, o clube inflacionou seus gastos em todos os setores. O futebol, por exemplo, gastou US$ 78 milhões ano passado, diante de US$ 46 milhões três anos atrás. A diferença nos gastos no clube também foram exorbitantes, apontando um aumento de mais de 100%. De US$ 14 milhões para US$ 30 milhões (valores arredondados).O presidente Andrés Sanchez já autorizou seus aliados a apontarem todas as irregularidades. Atuará com tolerância zero, acabando com os cargos fantasmas no Parque São Jorge, diminuindo os salários milionários de jogadores e fazendo novas propostas para fornecedores de alimentos, uniformes, materiais básicos."Trataremos as finanças como donas de casa, só gastaremos o que pudermos", informou Raul Corrêa da Silva, o vice financeiro. "Nos adequar será o primeiro passo", observou.Apesar das cifras gritantes, Raul afirmou estar tudo dentro do previsto. Ele fez parte da auditoria de fraudes que levantou os gastos do Corinthians na gestão Alberto Dualib e, conseqüentemente, acabou reprovando as contas de 2006, apresentando diversas irregularidades. "Se gastarmos mais ou menos como gastávamos em 2003, equilibraremos com as receitas. E, se tivermos lucros, ao invés de fazermos loucuras, como em contratações milionárias, iremos pagando as dívidas do passado", enfatizou.A avaliação inicial dos novos dirigentes é a de que o clube tem déficit de R$ 100 milhões no mercado, sem levar em consideração as ações trabalhistas.Andres já adiantou que não fará nenhuma contratação milionária para 2008. Aposta em recuperar a imagem de grande parte dos jogadores do atual grupo, abalada diante da permanência do time na zona de rebaixamento. "Temos muitos jogadores bons", não se cansa de dizer, desde que assumiu a presidência, na quarta-feira.Os pratas-da-casa terão maior espaço no clube. Jovens como Lulinha, Éverton, Diego, Caju, Dentinho, ganharão mais oportunidades de mostrar seu talento. E ainda haverá a incubadora, projeto que visa criar novos talentos com a ajuda de empresários, que ficariam com 51% dos lucros futuros, diante de 49% ao clube. "Tem muito empresário que assina com os jogadores e rapidamente os tiram dos times, isso aqui vai acabar", garante Andrés.

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