Clubes apostam na escola gaúcha de técnicos

Tite, Carpegiani e Felipão nasceram e conheceram o futebol no RS. Adilson é do Paraná, mas passou a ter destaque no Grêmio

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

Campeonato Paulista, mas com sotaque gaúcho - pelo menos no banco de reservas. Os três maiores times da capital apostam em técnicos do Rio Grande do Sul nesta temporada. Tanto Tite, do Corinthians, quanto Paulo César Carpegiani, do São Paulo, e Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, não conseguiram dar títulos aos seus clubes no final de 2010. No embalo do também rio-grandense Mano Menezes, que chegou à seleção após a conquista do Estadual em 2009, os três têm a chance de alcançar as primeiras taças por seus clubes agora. O paranaense Adílson Batista, que passou a ter destaque na carreira no Rio Grande do Sul, completa a lista dos quatro principais favoritos da competição.

"Acho que isso é uma coincidência, coisa de momento", afirma Paulo César Carpegiani. "Os profissionais gaúchos estavam no mercado e deu a casualidade de termos agora três bons treinadores nos times da capital."

A diretoria do São Paulo buscava um treinador disciplinador. Foi atrás do gaúcho Carpegiani, que fazia bela campanha com o Atlético-PR na reta final do Brasileiro do ano passado. O técnico são-paulino abriu mão das chances de título que o Atlético-PR ainda tinha à época para não ter possibilidade nenhuma de levantar uma taça na temporada 2010. Pegou um time desmanchado tática e psicologicamente no final da disputa do Brasileiro, em outubro - e colocado apenas no meio da tabela. A arrancada que começou com cinco vitórias em seis jogos arrefeceu quando o São Paulo foi derrotado pelo Corinthians por 2 a 0 a quatro rodadas do fim. Restou preparar a equipe para 2011, quando o treinador espera fazer valer a disciplina comum aos gaúchos e tentar extrair algum resultado de um time que, no papel, é mais fraco do que o de 2010.

Essa parece ser a sina dos técnicos gaúchos este ano. Tanto o Palmeiras quanto o Corinthians não conseguiram se reforçar. A equipe alviverde foi a que mais investiu na mística da escola gaúcha de treinadores. Contratou logo o mais vencedor e experiente deles, Felipão, por um salário astronômico - cerca de R$ 700 mil mensais. No ano passado, deixou de lado o Brasileiro, falhou na Sul-Americana e terá de provar que o investimento é válido no Paulista com praticamente o mesmo time do ano passado, que ainda deve perder peças importantes como o volante Edinho e precisa receber salários atrasados e solucionar impasses dentro do vestiário.

Tite rearrumou o Corinthians que ameaçava nem se classificar para a Libertadores durante o último Brasileiro. Perdeu o título nas últimas rodadas, a vaga direta para a fase de grupos da competição continental, sofreu as primeiras críticas, mas ainda tem crédito. Afinal, arrumou a casa que caiu sobre Adílson Batista - hoje no Santos - quando os corintianos sonhavam com um título no ano do centenário. Não deu. Sem reforços empolgantes, no entanto, Tite corre o risco de perder prestígio com a torcida, se não fizer boa campanha no Paulista. Disputando a Libertadores ao mesmo tempo, sempre é um risco.

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