Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE

Clubes do Rio também se afastam do C13 e criação de nova liga ganha força

Corinthians e Coritiba oficializam desligamento e cariocas rompem com entidade. Dissidentes pedem novo modelo de gestão, 'mais democrático'

Bruno Lousada, Leonardo Maia e Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

O futebol brasileiro passa por momento histórico. O anúncio de que os clubes cariocas vão negociar à parte os direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro no triênio 2012, 2013 e 2014 em tevê aberta, feito nesta quarta-feira, em conjunto, pelos presidentes de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, aliado à desfiliação do Corinthians, marca o início do que muitos acreditam ser a implosão do Clube dos 13 e o embrião da nova Liga de Clubes.

De acordo com os protagonistas do levante, o que se busca não é uma rebelião, mas sim a democratização do futebol. A grande queixa dos insurgentes é em relação à falta de diálogo nas negociações. "Já cansei de dizer para eles nos últimos anos que não aceitamos essa história de empurrar tudo pela garganta dos clubes", afirmou o presidente corintiano e um dos líderes do movimento, Andrés Sanchez. A presença do diretor-executivo, Ataíde Gil Guerreiro, que é ligado ao presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, na confecção do edital de licitação dos direitos de transmissão é outro ponto de discórdia. Para Sanchez, a criação da Liga é iminente e sua principal diferença em relação ao C13 é a democratização das decisões.

Além do Corinthians e dos quatro grandes do Rio, o Coritiba também anunciou ontem sua saída do C13. Os líderes do movimentam consideram que ainda existem dois grupos. Os clubes que estão na iminência de aderirem, composto por Grêmio, Cruzeiro, Goiás, Vitória, Santos e Palmeiras, e aquele que se mostram fiéis ao presidente da entidade, Fábio Koff: São Paulo, Internacional, Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Portuguesa, Sport e Guarani.

O episódio desta quarta fortalece ainda mais o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, favorável à permanência da TV Globo como detentora dos direitos de transmissão do campeonato. O C13 pretendia abrir uma concorrência mais ampla e ouvir propostas de outras emissoras, como a Record e a Rede TV!.

Herança. A dívida com o Clube dos 13 é o principal motivo para os clubes do Rio não terem se desfiliado. Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo devem, ao todo, R$ 60 milhões para a entidade. Até setembro, nenhum deles vai receber um centavo da cota de televisão, pois esta já foi antecipada.

Em nota oficial, divulgada quarta de manhã em seus sites, os presidentes dos quatro grandes do Rio informaram que "adotarão posição conjunta, diante da questão em causa, tendo como fundamento principal a defesa intransigente dos interesses do futebol do Rio de Janeiro e, ainda, a satisfação dos interesses maiores do futebol brasileiro em geral".

Eles se reuniram na última terça-feira e tomaram a decisão baseada em dois aspectos: os clubes não reconheceram como "adequada a forma pela qual, até aqui, o Clube dos 13 conduziu, perante seus associados, o projeto para o novo contrato de transmissão"; e "em consequência, manifestam-se desobrigados, diante do Clube dos 13, dispondo-se os mesmos a tratar, diretamente com as empresas interessadas, todos os aspectos comerciais referentes aos direitos de transmissão dos jogos do Brasileiro".

No Flamengo, o desgaste com o C13 vem desde o ano passado, quando a CBF homologou os campeões nacionais detentores dos títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, organizados antes de 1971, quando teve início a disputa do Brasileiro. Na ocasião, a diretoria rubro-negra esperava uma posição mais forte da entidade em defesa do reconhecimento da conquista de 1987, o que não aconteceu. "Surgiu uma rusga por falta de posicionamento do Clube dos 13", disse a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, na última segunda-feira.

Aliados. A própria mudança de posição de Ricardo Teixeira, que anteriormente rejeitava duramente qualquer possibilidade de aceitar o pleito da equipe rubro-negra, só ocorreu porque Patrícia antecipava a ruptura com o Clube dos 13.

No Rio, foi ela quem coordenou a união dos quatro grandes clubes cariocas para negociarem conjuntamente, sem a intermediação da entidade comandada por Fábio Koff, os contratos de cessão dos direitos de transmissão dos jogos do Brasileiro. "Isso é um xadrez. Se tivermos de negociar sozinhos, vai ser bom para nós, mas ruim para o futebol", admitiu Patrícia Amorim, antes de conseguir o apoio dos três rivais.

Veja também

linkKoff ataca Andrés: ''É moleque e irresponsável''

linkPrincipais equipes do Rio de Janeiro rompem com o Clube dos 13

linkCorinthians oficializa saída do Clube dos 13

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.