Clubes estreiam sem dinheiro e revoltados

Protestos são pela decisão da CBF de não bancar custos com viagem, hospedagem e arbitragem

Anelso Paixão, O Estadao de S.Paulo

24 de maio de 2009 | 00h00

Com 20 times de 13 estados, alguns bastante tradicionais, o Brasileiro da Série C começa hoje recheado de reclamações dos clubes envolvidos. A revolta é pela decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de não oferecer um centavo sequer aos participantes. Ou seja, enquanto alguns clubes da Série A embolsam até R$ 30 milhões só com cotas de TV, os da Série C, mais pobres, não terão direito a incentivo financeiro da entidade máxima do futebol."É o campeonato dos abandonados", define o presidente do Marília, José Roberto Duarte de Mayo. "E olha que alguns clubes vão colocar mais público no estádio do que os da Série A e B. É só conferir para ver quantas pessoas estarão em nosso estádio (Mangueirão, com capacidade para 55 mil). Tenho certeza que será o maior público do final de semana", provoca o presidente do Paysandu, Luiz Omar Cardoso Pinheiro."Eles já sabiam que não haveria ajuda financeira da CBF há 18 meses, desde o campeonato do ano passado. Tiveram bastante tempo para se preparar", se defende o diretor de competições da entidade, Virgílio Elísio. "Em 2007, com 64 clubes, gastamos R$ 15 milhões com a Série C. Um valor muito alto."A alternativa encontrada pela entidade que organiza a competição foi dividir os 20 clubes em quatro grupos de cinco times, de forma regionalizada.Os dois primeiros passam de fase. O último de cada grupo é rebaixado à Série D. Nas próximas etapas, já no sistema mata-mata, a disputa segue regionalizada. No entanto, nas finais, a regionalização acaba. Os quatro primeiros (semifinalistas) garantem o acesso à Série B.A proposta de regionalização diminui os custos das equipes com viagem, hospedagem e arbitragem, mas cria outro problema: quem não se classificar na primeira fase, fica sem atividade a partir de 2 de agosto. "E no futebol não existe contrato de menos de três meses com jogadores", reclama José Roberto de Mayo, do Marília.Uma luz no fim do túnel surgiu com a proposta de uma empresa de material esportivo. A ideia é bancar todo o custo da Série C (algo em torno de R$ 5,5 milhões) em troca de se tornar a bola oficial da Copa do Brasil do ano que vem. "A proposta é interessante, mas o que a CBF faz com o contrato com a Nike? Não é novidade para ninguém que temos esse compromisso", explica Virgílio Elísio, da CBF."Só não entendemos porque tanto para uns e tão pouco para outros", indigna-se o presidente da Futebol Brasil Associados, José Neves Filho, entidade que respondeu pela Série B no ano passado, pagando R$ 600 mil a cada participante. "Este ano o valor seria de R$ 1 milhão para cada um", explica o dirigente, lamentando ter perdido o direito de organizar a competição para a própria CBF, que vai manter os R$ 600 mil aos clubes. "Com o que os clubes da Série A recebem com cotas de TV (veja quadro ao lado), são R$600 milhões nas mãos de 24 times. É o apartheid no futebol brasileiro. Imagine o que será da Série D", protesta José Neves Filho.

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