COB anuncia contrato com Coca-Cola

Após perder o contrato de patrocínio com a seleção brasileira em 2001, a Coca-Cola iniciou nesta segunda-feira um trabalho que pode revolucionar os esportes olímpicos do Brasil. Em uma parceria inédita com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a multinacional celebrou dois contratos envolvendo um total de recursos de até R$ 3,9 milhões. O aporte financeiro feito pela empresa ainda é pequeno se comparado aos R$ 500 milhões que dispõe para investir. Mas para o esporte olímpico brasileiro essa parceria, além do desenvolvimento econômico, possibilitará um ganho de prestígio no cenário político internacional. Principalmente, em uma eventual disputa para o País abrigar um Olimpíada, já que a Coca-Cola é a mais antiga patrocinadora do Comitê Olímpico Internacional (COI), uma união que perdura há 72 anos e está assegurada até 2008. Além disso, apesar da isenção do colégio eleitoral, na escolha da sede de uma Olimpíada, um país com um parceiro forte, como a Coca-Cola, pode transmitir maior credibilidade aos votantes. ?Esse foi só um pontapé inicial. Vai ser uma experiência e o nosso objetivo é prolongar. Se tudo der certo, fazer outros contratos", assegurou o vice-presidente de Marketing da empresa, Fernando Mazzarolo. Com o total de R$ 1,8 milhão, a Coca-Cola vai patrocinar por dois anos as seleções olímpicas permanentes de ginástica artística feminina, judô e triatlo. O dinheiro será repassado às entidades até o final do mês e, em contrapartida, a multinacional poderá explorar a imagem dos atletas por até duas campanhas publicitárias. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, explicou que a escolha das confederações foi feita segundo critérios ?técnicos" e ?em comum acordo" entre as partes interessadas. A Confederação Brasileira de Judô, com 14 atletas em sua seleção, será a principal beneficiada com R$ 800 mil. Ginástica Artística Feminina, com 11 competidoras, receberá R$ 600 mil e a de Triatlo, R$ 400 mil. Vale ressaltar que todo o montante será deduzido de uma taxa de 25%, referente à comissão da agência de marketing do COB. E os principais beneficiados com este novo patrocínio serão os atletas. A ginasta Daniele Hypólito, por exemplo, já assegurou durante os dois anos de contrato R$ 2,8 mil mensais, além de R$ 2,5 mil que já recebe referentes à Lei Piva. As outras ginastas receberão cotas de R$ 1,2 mil, R$ 800 e R$ 400. O presidente da Confederação de Triatlo, Carlos Fróes, garantiu que destinará pelo menos R$ 2 mil para cada atleta da seleção, hoje formada por um total de oito competidores. Já o responsável pela Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley, ainda não planejou como distribuirá os recursos. O segundo contrato também visa à distribuição de dinheiro para os atletas. Com uma projeção de R$ 2,1 milhões, a Coca-Cola premiará os melhores brasileiros nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. São várias modalidades de premiação: aos medalhistas, para aqueles que superarem recordes brasileiros ou marcas pessoais e até aos finalistas olímpicos. O prêmio pela conquista de uma medalha olímpica também vale para os esportes coletivos. Inclusive a seleção brasileira de futebol, patrocinada pela Ambev, empresa concorrente da multinacional americana no setor de bebidas. ?Da nossa parte não haverá constrangimento em premiar os jogadores da seleção", frisou o vice-presidente de Marketing da Coca-Cola.

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