Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

COB cria canal de ouvidoria para receber denúncias no esporte olímpico

Entidade pretende colocar ferramenta à disposição do público a partir do dia 22 de maio

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2018 | 16h26

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) vai implantar um canal de ouvidoria para receber qualquer tipo de denúncia e acolher vítimas de abuso nos esportes olímpicos. A previsão inicial é que ele seja lançado no dia 22 de maio. "Será um canal que estará no site do COB. O pessoal vai lá, se cadastra e faz sua denúncia", explicou Marco Antônio La Porta, vice-presidente da entidade.

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As acusações de abuso sexual contra o ex-técnico de ginástica artística Fernando de Carvalho Lopes acabaram coincidindo com a criação deste espaço para denúncias. "Na verdade, esse canal de ouvidoria já era uma mudança que a gente tinha feito dentro do processo de reestruturação do COB, de ter maior governança e transparência", disse.

 

O dirigente reiterou que o COB não tinha conhecimento desse caso, mas que está dando a atenção devida. De qualquer maneira, a criação desse canal vem a calhar. "Faz parte de um processo muito maior que esse caso agora acaba se encaixando. Vamos receber qualquer tipo de denúncia e depois o caso vai para o Comitê de Ética da entidade", afirmou.

Para La Porta, é fundamental coibir todas as práticas de abuso no esporte. "O grande objetivo nosso, e a gente realmente não tolera esse tipo de atitiude, é ter um ambiente saudável no esporte. Estamos trabalhando com a data do dia 22 para que o canal de ouvidoria já esteja disponível para todo público. Se for para melhorar o esporte, é bom", comentou.

O CASO

A denúncia contra o técnico Fernando de Carvalho foi feita na edição de domingo do programa Fantástico, da TV Globo. O treinador negou todas as acusações e afirmou que "tem a consciência tranquila" e que quem o acusa "vai ter de provar na justiça".

De acordo com a reportagem, Fernando de Carvalho Lopes teria cometido os abusos sexuais durante vários anos em treinos, testes físicos e ainda em viagens com diversos atletas. A polícia passou a investigar o caso a partir da denúncia de um garoto de 13 anos, identificado como a primeira vítima a relatar o fato.

Fernando de Carvalho Lopes já havia sido afastado da seleção brasileira da modalidade um mês antes do início dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, quando surgiram as primeiras acusações. O treinador sempre trabalhou com as categorias de base, começou no vôlei e mudou para a ginástica.

O Mesc explicou que não havia afastado o treinador anteriormente por falta de provas. Mas que sempre se preocupou com a situação, tanto é que mudou sua atividade dentro do clube. Na segunda-feira, Fernando foi afastado.

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